quinta-feira, 5 de julho de 2012

Do temor a Deus

Josivaldo de França Pereira

O temor do Senhor geralmente é definido como respeito e reverência a Deus. Conquanto não seja errado pensar assim, temos nessa definição apenas uma parte da verdade, o lado positivo, por assim dizer. O outro lado, o negativo, está relacionado ao medo de se pecar contra Deus e das consequências desse mesmo pecado. O temor do Senhor é “Uma profunda reverência e respeito para com Deus, que é temperada pelo medo” (P. G. Chappell). Os textos bíblicos de Gálatas 6.7 e Hebreus 10.31; 12.29 são alguns exemplos de que o aspecto negativo do temor a Deus também deve ser observado com seriedade.
Uma das mais belas declarações na Bíblia acerca do temor a Deus é a que proferiu José do Egito a seus irmãos: “Ao terceiro dia, disse-lhes José: Fazei o seguinte e vivereis, pois temo a Deus” (Gn 42.18). Talvez em nenhum outro lugar da Escritura Sagrada a expressão “temo a Deus” seja tão bem aplicada.
Você se lembra como José foi vilipendiado e humilhado por seus irmãos, não é mesmo? De como foi escarnecido por eles, arremessado num poço, vendido aos ismaelitas, levado para o Egito e lançado no cárcere por Potifar? Acrescente-se a tudo isso a dor que seus irmãos causaram ao velho Jacó com a falsa notícia de que ele, José, fora morto por um animal selvagem (Gn 37.31-35).
Foi o temor de José a Deus que o impediu de exagerar nos testes e estratagemas para com seus irmãos e, pior de tudo, voltar-se contra eles numa fúria cega, matando a todos eles. Quem teme a Deus não é vingativo. Foi o temor de José a Deus que o fez perceber todo o desígnio do Senhor para com ele e sua família. Perdoar está diretamente associado ao temor do Senhor. Quem teme a Deus sabe que Deus perdoa a quem perdoa e que o juízo do Senhor é sem misericórdia para quem não usou de misericórdia (Mt 6.12,14,15; Tg 2.13).
Certa vez uma irmã muito querida me perguntou: “Pastor, por que será que há tantos crentes levando uma vida cristã medíocre, dando mau testemunho, cheios de ressentimento, faltosos no amor e pouco perdoadores?”. E ela mesma respondeu logo em seguida: “É falta de temor a Deus, pastor. É falta de temor a Deus”. Concordei planamente com ela. Ademais, tenho visto colegas que são excelentes na oratória do amor e perdão, mas bastante deficientes na prática da justiça e compaixão. Se temêssemos verdadeiramente a Deus pecaríamos menos, muito menos!
O segredo do sucesso de José do Egito estava no temor que ele tinha a Deus. Por temer a Deus, José preferiu ser preso injustamente a ceder ao convite adúltero da mulher de Potifar e pecar contra o Senhor: “... como, pois, cometeria eu tamanha maldade e pecaria contra Deus?” (Gn 39.9).
O resultado do temor a Deus é ser aprovado pelo Senhor em todas as coisas. Deus abençoou José e toda casa de Potifar. O Senhor o abençoou no cárcere e no governo do Egito. Deus honrou a fidelidade de José. E, como ele mesmo diria a seus irmãos, “Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer como vedes agora, que se conserve muita gente em vida” (Gn 50.20).
Mesmo temendo a Deus podemos passar por adversidades que, momentaneamente, estão além da nossa compreensão. Lá na frente descobriremos que Deus usou tudo isso para nos abençoar e fazer de nós vasos de bênçãos para outras pessoas também.
Quem teme verdadeiramente ao Senhor nunca fica sem recompensa.



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