quarta-feira, 4 de julho de 2012

Por que os judeus não se davam com os samaritanos?

(João 4.9)
Josivaldo de França Pereira

Os judeus e os samaritanos não se entendiam desde os tempos de Oséias, o último rei de Israel. Tudo começou quando Oséias conspirou contra Salmanasar, rei da Assíria. Samaria, a capital de Israel, foi sitiada pelas tropas assírias por três anos e, posteriormente, seus moradores foram transportados para a Assíria (2Rs 17.3-6). Isso aconteceu em 722 a.C. Logo, vieram também estrangeiros e se estabeleceram na região devastada. Diz o relato bíblico: "O rei da Assíria trouxe gente de Babilônia, de Cuta, de Hamate e de Serfavaim, e a fez habitar nas cidades de Samaria, em lugar dos filhos de Israel; tomaram posse de Samaria e habitaram nas suas cidades" (2Rs 17.24). Da mescla com a população que havia ficado, surgiu uma nova raça denominada de samaritanos (nome derivado de Samaria, a metrópole fundada por Onri, pai de Acabe, por volta de 880 a.C.).
No princípio, quando os estrangeiros passaram a habitar em Samaria, eles não temeram ao Senhor; pelo que o Senhor mandou leões invadirem suas terras, os quais mataram a alguns do povo. Com razão atribuíram essa praga à ira de Deus. Então, rogaram ao rei da Assíria que enviasse um sacerdote israelita para lhes ensinar "como servir o Deus da terra". E assim aconteceu que um judaísmo adulterado foi enxertado ao culto pagão.
Quando uma parte dos judeus voltou à terra de seus pais – principalmente, mas não exclusivamente, parte dos que haviam sido deportados para a Babilônia em 587 a.C. –, e se construiu um altar para o holocausto e pôs-se os fundamentos do templo, samaritanos zelosos e seus aliados interromperam as obras (Ed 3 e 4). Assim fizeram porque negaram a eles a permissão de cooperar na obra de reconstrução. Sua petição foi: "Deixa-nos edificar convosco, porque, como vós, buscaremos a vosso Deus, como também já lhe sacrificamos desde os dias de Esar-Hadom, rei da Assíria, que nos fez subir para aqui". A resposta que receberam foi a seguinte: "Nada tendes conosco na edificação da casa do nosso Deus". Ao receberem essa dura resposta os samaritanos passaram a odiar os judeus. Imediatamente começaram a construir seu próprio templo no monte Gerizim; porém, João Hircano, um dos reis macabeus, destruiu o templo deles em 128 a.C. Os samaritanos, não obstante, continuaram adorando em cima da montanha, onde haviam erigido o templo sagrado.
A aversão dos judeus para com os samaritanos pode ser vista ainda em João 8.48 e no livro apócrifo de Eclesiástico 50.25,26. E a mesma atitude por parte dos samaritanos em Lucas 9.51-53.[1]




[1] O historiador judeu Flávio Josefo (37-100 A. D.) fala de muitas e várias revoltas ocorridas entre judeus e samaritanos nos tempos bíblicos. Consulte Las guerras de los judios. Barcelona: Editorial CLIE, 1990, I, xi; Antigüedades de los judios. Barcelona: Editorial CLIE, 1988, III, ii, 2; vi, 1-3.

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