terça-feira, 14 de agosto de 2012

Da justiça de Deus

 Josivaldo de França Pereira

Tanto a justiça quanto o amor de Deus estão abundantemente presentes no Antigo e Novo Testamentos. Uma concordância ou chave bíblica deixa isso claro de modo exaustivo. Israel foi, ou deveria ter sido, o juiz de Deus na punição de povos que atingiram a quota de seus pecados. Deus disse a Abraão acerca de seus descendentes: “Na quarta geração, tornarão para aqui; porque não se encheu ainda a medida da iniquidade dos amorreus” (Gn 15.16). Mas Israel não cumpriu plenamente a justiça de Deus. O povo do Senhor fez aliança com nações que devia destruir; as mulheres poupadas tiveram novos filhos e as crianças que não foram mortas cresceram e vingaram seus pais.
Por que a mensagem do Novo Testamento é essencialmente a do amor? Porque quando os judeus quiseram fazer justiça, essa já não era mais a justiça de Deus. “Porquanto, desconhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à que vem de Deus” (Rm 10.3).
A justiça de Deus em Cristo não é a da imprecação e perseguição contra o inimigo. Tiago diz que “a ira do homem não produz a justiça de Deus” (Tg 1.20). Jesus veio ser e cumprir toda justiça de Deus (Mt 3.15; 1Co 1.30), isto é, a justiça que se revela no evangelho (cf. Rm 1.17; 3.22) e nos torna justiça e retidão de Deus (2Co 5.21; Ef 4.24; 1Pe 2.24). A “reta justiça” (Jo 7.24); a “justiça da fé” (Rm 4.13; Fp 3.9; Hb 11.7), o “dom da justiça” (Rm 5.17) e a “graça pela justiça” (Rm 5.21) nos foram oferecidos em Cristo Jesus. “Porque o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê” (Rm 10.4).
Das nove bem-aventuranças do Sermão do Monte, duas falam sobre a justiça de Deus: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos” (Mt 5.6); “Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus” (Mt 5.10). Jesus disse aos seus discípulos: “... se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus” (Mt 5.20). E ainda: “Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles; doutra sorte, não tereis galardão junto de vosso Pai celeste” (Mt 6.1).
O Mestre disse também que devemos buscar o reino de Deus e a sua justiça (Mt 6.33). Aos escribas e fariseus ele declarou: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e a fé; devíeis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas!” (Mt 23.23).
A justiça de Deus, no Novo Testamento, se cumpre em amor – personificado na pessoa de Cristo – e não pelo ódio e perseguição aos inimigos, ou supostos inimigos, como estava ocorrendo. Eis a razão porque Jesus disse: “Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem” (Mt 5.43,44).
Paulo disse aos atenienses que Deus “estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos” (At 17.31). E mais: “Pois assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também, por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida” (Rm 5.18). E também: “Falo como homem, por causa da fraqueza da vossa carne. Assim como oferecestes os vossos membros para a escravidão da impureza e da maldade para a maldade, assim oferecei, agora, os vossos membros para servirem à justiça para a santificação” (Rm 6.19; cf. 6.13).
Justiça no Novo Testamento não é ódio e vingança, é amor.

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