segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Manassés: seus pecados, castigo e conversão

(2Rs 21.1-9,17,18; 2Cr 33.1-20)

Josivaldo de França Pereira


Manassés era o filho mais velho do piedoso Ezequias. Ele subiu ao trono aos doze anos de idade e cinquenta e cinco anos reinou em Jerusalém, mas não seguiu os bons exemplos deixados por seu pai. Manassés fez o que era mau perante o Senhor mais do que qualquer rei de Judá e Israel, e até pior que as nações que o Senhor Deus expulsou de suas possessões diante dos filhos de Israel.
Seus pecados. Manassés tornou a edificar os altos que seu pai Ezequias tinha derribado, levantou altares aos baalins, fez postes-ídolos e se prostrou diante de todo o exército dos céus e os serviu. Edificou altares na Casa de Deus, da qual o Senhor tinha dito: “Em Jerusalém porei o meu nome para sempre”. Também edificou altares a todo exército dos céus nos átrios da Casa do Senhor. E como se isso não bastasse, queimou em sacrifício seus filhos como oferta no vale do filho de Hinom. Esse vale se transformaria, mais tarde, no aterro sanitário de Jerusalém.
Manassés se tornou agoureiro, pois adivinhava pelas nuvens, praticava feitiçarias, tratava com necromantes (os espíritas da época) e feiticeiros. A Bíblia diz que ele prosseguiu em fazer o que era mau perante o Senhor para provocá-lo à ira. E mais:
Também pôs a imagem de escultura do ídolo que tinha feito na Casa de Deus, de que Deus dissera a Davi e a Salomão, seu filho: Nesta casa e em Jerusalém, que escolhi de todas as tribos de Israel, porei o meu nome para sempre e não removerei mais o pé de Israel da terra que destinei a seus pais, contanto que tenham cuidado de fazer tudo o que lhes tenho mandado, toda a lei, os estatutos e os juízos dados por intermédio de Moisés. Manassés fez errar a Judá e os moradores de Jerusalém, de maneira que fizeram pior do que as nações que o SENHOR tinha destruído de diante dos filhos de Israel.
Além disso, Manassés derramou muitíssimo sangue inocente, até encher Jerusalém de um ao outro extremo, afora o seu pecado, com que fez pecar a Judá, praticando o que era mau perante o SENHOR.
Seu castigo. O castigo de Deus sobre Manassés e Jerusalém não veio sem que antes o Senhor enviasse seus profetas a fim de que o rei e seu povo se arrependessem de seus pecados. Deus não castiga sem que primeiro dê várias oportunidades para mudança de mente e atitudes. Contudo, Manassés e o povo não deram ouvidos ao Senhor. Algo semelhante encontramos no último capítulo das Crônicas (2Cr 36.15,16) e no livro do profeta Jeremias: “Desde o dia em que vossos pais saíram da terra do Egito até hoje, enviei-vos todos os meus servos, os profetas, todos os dias; começando de madrugada, eu os enviei. Mas não me destes ouvidos, nem me atendestes; endurecestes a cerviz e fizestes pior do que vossos pais” (Jr 7.25,26).
Consequentemente, o Senhor trouxe contra eles o exército da Assíria. Manassés foi preso com ganchos, amarrado com cadeias e levado à Babilônia. O fato de o rei ser levado à Babilônia e não para a Assíria, como era de se esperar, é porque naqueles dias a terra dos caldeus estava sob o domínio de Esaradom, rei da Assíria.
O cativeiro de Manassés foi uma prévia do que aguardava o povo caso ele não se arrependesse de seus pecados. Na verdade, a primeira referência de que Judá seria levado para o cativeiro babilônico é feita no governo de Manassés (cf. 2Rs 21.10-15). No livro do profeta Jeremias está escrito: “Entregá-los-ei para que sejam um espetáculo horrendo para todos os reinos da terra; por causa de Manassés, filho de Ezequias, rei de Judá, por tudo quanto fez em Jerusalém” (Jr 15.4).
Sua conversão. A mudança de vida de Manassés aparece somente no livro das Crônicas. Por uma questão de propósito e objetivo ela é omitida no livro dos Reis. Manassés ilustra um dos temas centrais de Crônicas, de que Deus pode cumprir sua promessa de restauração ao arrependido (cf. 2Cr 7.12-16), mesmo nas circunstâncias mais extremas. A oração de Manassés é uma das mais tremendas da Bíblia. Ele, angustiado, suplicou deveras ao SENHOR, seu Deus, e muito se humilhou perante o Deus de seus pais; fez-lhe oração, e Deus se tornou favorável para com ele, atendeu-lhe a súplica e o fez voltar para Jerusalém, ao seu reino; então, reconheceu Manassés que o SENHOR era Deus.
Se comparada com Joás, Amazias e Uzias, a vida de Manassés muda de direção não para pior mas para melhor. Somente Manassés se converte de seus pecados. O modelo alternante de infidelidade e obediência, também seguido por seus antecessores, é rompido com seu arrependimento. Os resultados da conversão de Manassés foram extraordinários. Depois disto, edificou o muro de fora da Cidade de Davi, ao ocidente de Giom, no vale, e à entrada da Porta do Peixe, abrangendo Ofel, e o levantou mui alto; também pôs chefes militares em todas as cidades fortificadas de Judá. Tirou da casa do SENHOR os deuses estranhos e o ídolo, como também todos os altares que edificara no monte da Casa do SENHOR e em Jerusalém, e os lançou fora da cidade. Restaurou o altar do SENHOR, sacrificou sobre ele ofertas pacíficas e de ações de graças e ordenou a Judá que servisse ao SENHOR, Deus de Israel. Contudo, o povo ainda sacrificava nos altos, mas somente ao SENHOR, seu Deus. Uma mudança radical que lembra as conversões de Paulo no caminho de Damasco (At 9.1-9) e dos tessalonicenses em 1Ts 1.
A mudança de coração de Manassés representa uma oportunidade para um fim prematuro ou mesmo uma reversão do Juízo de Deus, se tão somente a geração final de Judá tivesse se humilhado (cf. 2Cr 36.12-16).


















































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