sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Os anjos eleitos

Josivaldo de França Pereira


Anjos são seres espirituais e incorpóreos, racionais, incorruptíveis e imortais. A Bíblia não fala somente de anjos maus (Mc 8.38; Lc 9.26) e de anjos malvados que não guardaram seu primeiro estado (2Pe 2.4; Jd 6), mas também faz menção explícita de anjos eleitos. A expressão “anjos eleitos” (ἐκλεκτῶν  ἀγγέλων) aparece uma única vez na Escritura Sagrada.  Escrevendo a Timóteo, o apóstolo Paulo dirige a seguinte invocação: “Conjuro-te, perante Deus, e Cristo Jesus, e os anjos eleitos, que guardes estes conselhos, sem prevenção, nada fazendo com parcialidade” (1Tm 5.21). Quem são os anjos eleitos citados por Paulo em 1Timóteo 5.21? Em que sentido um anjo é eleito? A eleição dos anjos é diferente da predestinação dos homens?
Segundo Hodge, “Quanto ao estado dos anjos, claramente se ensina que eram todos originalmente santos. Também se deve inferir simplesmente, com base nas declarações da Bíblia, que eles foram submetidos a um período de prova, e que alguns guardaram seu primeiro estado, e outros não. Os que mantiveram sua integridade são descritos como confirmados em um estado de santidade e glória”.[1] Todos os anjos foram criados bons, inclusive Satanás. Contudo, o diabo e seus anjos se rebelaram contra a glória de Deus em Cristo Jesus.
A eleição dos anjos é diferente da eleição divina em relação aos seres humanos quanto à sua natureza. Tanto anjos quanto homens são eleitos por Deus, porém, enquanto Deus escolheu pecadores para a salvação, ele elegeu anjos para não caírem. Como assim? Se Deus não tivesse escolhido os seus anjos a fim de permanecerem firmes no estado de retidão em que foram criados, o número dos que caíram, isto é, dos que foram para o caminho do mal junto com Satanás, seria muito maior, para não dizer que todos seguiriam o lado das trevas.
Deus decretou por razões suficientes a ele dar a alguns anjos – além da graça com que todos os anjos foram dotados na criação e que incluía um amplo poder de permanecer santos – uma graça especial de perseverança por meio da qual foram confirmados em sua posição.
Se a graça de Deus não fizesse presença no reino espiritual, toda a criação estaria definitivamente comprometida. Entretanto, Deus é Deus gracioso e soberano, esteve e sempre estará na direção de todas as coisas.



[1] Charles Hodge, Teologia Sistemática. São Paulo: Hagnos, 2001, p. 475.

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