quinta-feira, 1 de novembro de 2012

A Doutrina da Perseverança dos Santos na Confissão de Fé de Westminster

Josivaldo de França Pereira

 
Elaborada no século XVII pela famosa Assembleia de Westminster (Inglaterra), a Confissão de Fé (CFW) forma, juntamente com o Catecismo Maior e Breve de Westminster, a tríade teológica dos símbolos de fé ou padrões doutrinários das igrejas presbiterianas de origem reformada.
As igrejas de origem reformada praticamente são as únicas que sustentam a verdade bíblica do crente uma vez salvo, sempre salvo, isto é, aquele que está em Cristo nunca poderá decair definitivamente do estado de graça. Os católicos romanos, metodistas, luteranos e as igrejas arminianas em geral afirmam que um crente em Cristo Jesus pode cair em definitivo do estado de graça, não aceitando, portanto, tais igrejas, a doutrina da perseverança dos santos.
Como devemos entender a doutrina da perseverança dos santos? O que a Bíblia e a Confissão de Fé de Westminster dizem sobre ela?
Entendendo a doutrina da perseverança dos santos
O fato de os católicos, arminianos e luteranos negarem esta doutrina é porque ela pode ser facilmente mal entendida. Um estudo sério da Bíblia sobre a doutrina da perseverança dos santos tem feito com que alguns não-reformados mudem de atitude em relação a ela. Por exemplo: hoje em dia nem todos os arminianos afirmam que um cristão pode perder a salvação e ir para o inferno. Alguns deles asseveram que os crentes estão eternamente seguros em Cristo; que o pecador uma vez regenerado, nunca jamais perderá a sua salvação.
Muito do mal entendido da presente doutrina é porque a expressão “perseverança dos santos” sugere uma atividade contínua dos próprios crentes no caminho da salvação. Entretanto, esta perseverança não deve ser considerada, a priori, como uma atividade exclusiva do crente, mas antes, como uma obra em que ele coopera, mediante a graça de Deus (cf. 1Co 15.10; 2Co 3.5; Fp 2.13). Nenhum crente ficaria em pé se fosse deixado sozinho.
Resta-nos saber que a doutrina da perseverança dos santos não ensina que todos os que professam a fé cristã estão garantidos para o céu. São apenas os santos (os separados pelo Espírito) que perseveram até o fim; são os crentes que nasceram de Deus pela fé em Jesus Cristo. “Muitos que professam a fé cristã caem, mas eles não caem da graça, pois nunca estiveram na graça. Os crentes verdadeiros caem em tentações e cometem graves pecados, às vezes, mas esses pecados não os levam a perder a salvação ou a separá-los de Cristo” (Steele e Thomas; cf. CFW, XVII, 3). Portanto, “Os que Deus aceitou em seu Bem-amado, eficazmente chamados e santificados pelo seu Espírito, não podem cair do estado de graça, nem total nem finalmente; mas com toda a certeza hão de perseverar nesse estado até o fim, e estarão eternamente salvos" (CFW, XVII, 1).
Prova bíblica da perseverança dos santos
A doutrina da perseverança dos santos pode ser provada pelas declarações diretas da Bíblia, tais como João 10.27-29: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, eternamente, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar”; Romanos 11.29: “Porque os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis”; Filipenses 1.6: “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao dia de Cristo Jesus”; 2Tessalonicenses 3.3: “Todavia o Senhor é fiel; ele vos confirmará e guardará do maligno”; 2Timóteo 1.12: “E por isso estou sofrendo estas cousas, todavia não me envergonho; porque sei em quem tenho crido, e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia”; 2Timóteo 4.18: “O Senhor me livrará também de toda obra maligna, e me levará salvo para o seu reino celestial”; 1João 5.13: “Estas cousas vos escrevi a fim de saberdes que tendes a vida eterna, a vós outros que credes em o nome do Filho de Deus”.
A doutrina da perseverança também pode ser provada de maneira inferencial. Considere a doutrina da eleição divina. A eleição foi e sempre será a base de uma salvação absoluta, segura e eterna (Ef 1.4; 2Ts 2.13; 2Tm 2.10). Temos, além disso, a eficácia dos méritos e intercessão de Cristo. Aqueles por quem Cristo morreu nunca podem cair outra vez sob condenação (Rm 8.1). Sua intercessão constante a favor deles é sempre eficaz (Jo 11.42; Hb 7.25). E ainda, devemos pensar que a vida eterna que Cristo dá não é realmente eterna? (Veja Jo 3.36; 5.24; 6.47,54). A vida que o crente tem é uma garantia irreversível. E em consequência disso, segue-se o fato de que o crente pode e deve ter certeza de sua salvação (Hb 3.4; 6.11; 10.22; 2Pe 1.10).
A certeza da salvação seria impossível se os crentes pudessem perder a salvação a qualquer momento. Louvemos, pois, a Deus concessão da salvação sem fim.
Resposta às objeções à doutrina da perseverança dos santos
Segue abaixo as principais respostas às objeções que algumas pessoas fazem à doutrina da perseverança dos santos:
(1) A doutrina da perseverança dos santos conduz à falsa segurança e à indolência, à licenciosidade e à imoralidade.
Resposta: Isto não é verdade porque, ao mesmo tempo em que a Bíblia nos diz que somos guardados pela graça de Deus, também nos afirma que Deus não nos guarda sem a constante vigilância, diligência e oração de nossa parte. Uma doutrina que nos incentiva, do começo ao fim, a perseverarmos na santificação, nunca poderia nos conduzir ao pecado.
(2) A Bíblia adverte contra a apostasia, o que seria desnecessário se o crente não pudesse perder a salvação (cf. Mt 24.12; Cl 1.23; Hb 2.1; 3.14; 6.11; 1Jo 2.6).
Resposta: Estas passagens bíblicas apenas provam que o crente deve cooperar no processo de perseverança. Para uma ilustração desse ponto, compare Atos 27.22-25 com o versículo 31.
(3) Os crentes são exortados a continuar no caminho da santificação (Hb 12.14; 1Pe 1.13-21). Tais exortações seriam desnecessárias se não houvesse dúvida de sua continuação.
Resposta: Os textos citados provam simplesmente que Deus se utiliza de meios morais para alcançar seu objetivo.
(4) Há passagens que registram casos de real apostasia de crentes (1Tm 1.19,20; 2Tm 2.17,18; 4.10; 2Pe 2.1,2).
Resposta: Não há provas de que as pessoas mencionadas eram crentes de fato. Nem todos os que professam a fé são da fé (Rm 9.6; 1Jo 2.9,19; Ap 3.1).






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