quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

O SEMINARISTA

Josivaldo de França Pereira


Era seu primeiro dia de aula. Ele chegou animado, radiante de alegria e muito ansioso para iniciar sua formação teológica. Muito espiritual, com razão estranhou o linguajar daquele colega no intervalo da aula. "Tudo bem, deixa pra lá", pensou ele, "nada que possa ser denominado de escândalo". Antes de iniciar a próxima aula, leu a Bíblia e fez uma breve oração. Não era possível fazer muita coisa. Primeiro porque o intervalo era pequeno e segundo porque a maioria da classe conversava enquanto um ou outro realmente bagunçava.
Uma ideia brilhante surgiu quando alguém lá do fundo pediu silêncio e propôs à turma que todos chegassem "mais cedo amanhã" para que se fizesse uma devocional antes da primeira aula. Outro sugeriu que devocionais fossem feitas todos os dias e que cada dia alguém trouxesse "uma palavrinha". A classe apoiou.
A primeira semana foi bem. Na segunda semana não teve devocional na terça, quinta e sexta. Na terceira as devocionais acabaram-se de uma vez por todas. O curioso é que a falta de constância do grupo estava se refletindo na vida devocional de cada um também. Em casa quem costumava orar e ler a Bíblia todos os dias andava faltoso. Outros já não liam a Bíblia havia um bom tempo.
Começou-se as pesquisas para os trabalhos, os estudos para as provas e as devocionais foram todas para o espaço. A leitura diária da Bíblia há muito foi substituída pelas leituras dos livros. Seminarista tem que ler muito mesmo! A leitura faz parte de sua boa formação. Mas nada disso à custa de uma vida de oração e comunhão com Deus!
É preciso que nossos seminários atentem para a vida devocional de seus alunos. A espiritualidade cristã deve acompanhar nossos jovens durante o decorrer de seus estudos para que se tornem pastores piedosos e bênçãos em suas igrejas. Quantos iniciaram bem o seminário e saíram deles "céticos" em relação a Deus e à vida? Precisamos criar em nossos meninos o hábito da leitura bíblica diária. E os professores devem ser exemplos nesse particular.
Há pastores que alegam não ter tempo para uma leitura diária da Bíblia e oração. É isso que Deus quer? Claro que não. O pastor não deve somente falar de Deus ou sobre Deus. Ele precisa falar com Deus. O pastor não deve somente falar da Bíblia ou tomá-la em suas mãos apenas para fazer seu sermão. Ele precisa ter seu momento devocional com a Palavra de Deus e com o Deus da Palavra. Uma boa sugestão é iniciarmos nossas manhãs assim. Por que não começar o café da manhã com Deus, como fazia o salmista? "De manhã, SENHOR, ouves a minha voz; de manhã te apresento a minha oração e fico esperando" (Sl 5.3); "Eu, porém, cantarei a tua força; pela manhã louvarei com alegria a tua misericórdia; pois tu me tens sido alto refúgio e proteção no dia da minha angústia" (Sl 59.16); "Faze-me ouvir, pela manhã, da tua graça, pois em ti confio; mostra-me o caminho por onde devo andar, porque a ti elevo a minha alma" (Sl 143.8).
Seminaristas, pastores, líderes e crentes em geral, não se esqueçam da recomendação do Senhor Jesus para com o Deus Pai: "Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas cousas vos serão acrescentadas" (Mt 6.33).



terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Personagens Esquecidos da Bíblia - Lançamento


Caríssimos irmãos e irmãs,
É com alegria e pela graça de Deus que estou lançando, em parceria com o amigo Pr. Marcelo de Oliveira, nosso novo livro Personagens Esquecidos da Bíblia. O prefácio é do renomado Dr. Russell P. Shedd e a apresentação do não menos consagrado Rev. Hernandes Dias Lopes. Eis um trecho do prefácio e apresentação da obra:
“Biografias bíblicas existem em abundância no mercado, mas creio que não existe qualquer tomo como este. (...). Quem imaginaria que haveria subsídios para escrever algumas páginas sobre ‘Malco’ ou os ‘Filhos de Ceva’? Nunca ouvi algum pastor ou professor da Escola Bíblica Dominical tirar lições das vidas de pessoas como ‘Benaia’, ‘Apeles’ ou as ‘Filhas de Zelofeade’” (Russell Shedd, do Prefácio).
“[Este livro] difere de tantos que já li, porque se dedica a estudar personagens bíblicos que, embora tenham exercido papel importante na História, não estiveram no palco da fama. Esses homens e mulheres que viveram nos bastidores são como tantos heróis anônimos, que não têm seus nomes nas manchetes, mas são conhecidos e amados no céu, além de serem grandes agentes de Deus na terra” (Hernandes Dias Lopes, da Apresentação).
Adquira o seu por apenas R$29,90 (vinte e nove reais e noventa centavos). O frete dos correios já está incluso para todo o Brasil. Acima de dois livros a unidade sai por R$24,90 (vinte e quatro reais e noventa centavos). Basta fazer o depósito nos seguintes bancos:
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AG 1127-4 - conta poupança 1001267-8
Marta G Lima Pereira
BANCO DO BRASIL
AG 6549-8 - C/C 9.668-7
Josivaldo F Pereira
Obs.: Feito o depósito, por gentileza, envie um e-mail com seu nome e endereço completos para josivaldofpereira@hotmail.com.
Grato,
Rev. Josivaldo de França Pereira.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

A DOUTRINA DA ELEIÇÃO: CONSIDERAÇÕES GERAIS

Josivaldo de França Pereira

A eleição, conhecida também como predestinação[1] e eleição incondicional, é um ato da livre, amorosa e soberana graça de Deus. Mas como é possível Deus eleger sem ser parcial, cometer injustiça ou fazer acepção de pessoas? De que maneira a eleição pode auxiliar na evangelização? Qual a relevância desta doutrina para a espiritualidade cristã?
A predestinação é a missão resgate de Deus, pois Deus não deixou todo o gênero humano perecer no estado de pecado e miséria que merecia. A doutrina da eleição é construída, sustentada e revelada na Palavra de Deus. Veja, por exemplo, Deuteronômio 7.6-9; Atos 13.48; Romanos 8.29,30; Efésios 1.4,5; 2Tessalonicenses 2.13; 2Timóteo 2.10 e Tito 1.2. A eleição, conforme dizem corretamente os teólogos calvinistas, é “incondicional”, isto é, Deus elege independente de méritos, fé ou obras do indivíduo. E isso só é possível porque a eleição é um ato de amor gracioso e soberano de Deus (cf. Rm 11.1-5). Sendo assim, devemos compreender que a eleição divina não é uma questão de justiça; portanto, erram os que dizem que Deus seria injusto se escolhesse este e não aquele outro também para a salvação. A eleição é questão de graça. A condenação sim é questão de justiça.
Mas ninguém poderá entender a doutrina bíblica da eleição se não compreender adequadamente a doutrina bíblica do pecado. “A pressuposição do eterno decreto divino da eleição é que a raça humana é caída; a eleição envolve o plano gracioso de Deus para o resgate”.[2] Você acredita realmente que todos pecaram em Adão (cf. Rm 5.12) e que ninguém é merecedor da vida eterna? (cf. Rm 3.23). Se a sua resposta for afirmativa, então esteja certo que nunca poderá entender a eleição como sendo injustiça. Deus teria sido perfeitamente justo se não elegesse ninguém (cf. Mt 20.14,15; Rm 9.14,15); no entanto, ele quis, soberanamente, mostrar para alguns o seu favor imerecido. Por isso, Paulo fala da “eleição da graça” (Rm 11.5). Na verdade, tudo que recebemos de bom é pura expressão da livre graça de Deus para conosco, como por exemplo, o arrependimento para a vida eterna (At 11.18), a salvação em Cristo (At 13.48; 15.11; Ef 2.8,9) e o serviço cristão (Jo 15.16; 1Co 15.10; Ef 2.10).
Deus também não faz acepção de pessoas, porque ele não escolhe uma pessoa e rejeita outra com base em circunstâncias externas como raça, nacionalidade, riquezas, poder, nobreza, etc. O fato de Deus não salvar todo mundo só confirma a tese de que ele não é obrigado a salvar todo mundo. Graça não é dívida; é graça!
É importante esclarecer ainda que a eleição divina não é a salvação; é para a salvação (2Ts 2.13; 2Tm 2.10). E entre ambas (eleição e salvação) está a evangelização, servindo de ponte para ligar duas partes inseparáveis (Rm 10.14-17; cf. At 18.9-11). Com isso aprendemos que não procede o falso conceito que se uma pessoa é eleita, ela será salva independentemente de crer ou não em Cristo pelo evangelho. Pensar assim seria simplesmente absurdo! Como também não procede a ideia de que a doutrina da eleição “acomoda o crente para a evangelização”.  A eleição, conforme a Bíblia ensina, é para o serviço (cf. 1Pe 2.9; 2Pe 1.10). “Serviço” aqui deve ser entendido na forma ampla do termo, como a adoração a Deus, o discipulado, a evangelização, a ação social, etc.; portanto, somente os desavisados acreditariam que a eleição acomoda o crente para a obra de Deus. Lendo 2Timóteo 2.10, vemos que para Paulo a eleição incentiva a evangelização (“tudo suporto por causa dos eleitos”, diz ele) e garante os bons resultados da evangelização (“para que também eles [como os demais crentes] obtenham a salvação que está em Cristo Jesus com eterna glória”). Não é verdade que o apóstolo que mais sustentou a doutrina da predestinação foi um dos que mais trabalhou na obra do Senhor?
Além da salvação e o serviço, a eleição também é para a santidade de vida (Ef 1.4). A eleição é “para sermos santos”, diz o ensino bíblico. Sendo assim, não procede a objeção de que a eleição divina compromete o testemunho cristão, contradiz a certeza da vida eterna e promove a prática do pecado. A vida que não se expressa em santidade é incompatível com as doutrinas bíblicas da eleição e salvação (cf. 2Pe 1.3-11).
Finalmente, de tudo o que foi dito aqui, o mais importante é que o propósito último da divina eleição é a glória de Deus (cf. Ef. 1.3-14). Louvado seja o Senhor!





[1] Embora o termo “predestinação” seja usado às vezes como sinônimo de “eleição”, no sentido restrito a eleição é uma das duas partes da predestinação, sendo a “reprovação” ou “preterição” o outro lado dela.
[2] F. H. Klooster, Eleição, eleito. In: Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã. Vol. II. São Paulo: Vida Nova, 1990, p. 12.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O corpo ressurreto precisa de uma terra

Josivaldo de França Pereira


O ser humano não foi feito para morrer. A morte entrou na história da humanidade como um agente estranho por causa da desobediência dos nossos primeiros pais. “E o SENHOR Deus lhe deu [a Adão] esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2.16,17). Após a queda Deus disse a Adão: “No suor do rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela foste formado; porque tu és pó e ao pó tornarás” (Gn 3.19).
A Bíblia ensina que Deus criou o ser humano corpo e alma, e que este não é um ser completo aparte de seu corpo. A morte física é a separação entre o corpo e a alma. A alma, ou espírito, vive sem o corpo, mas o corpo não subsiste sem o espírito. Sem o espírito o corpo é apenas pó. Por isso, diz o Pregador: “e o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu” (Ec 12.7).
A matéria não é má, como pensavam os filósofos gregos. Ela faz parte da boa criação de Deus e a separação entre corpo e alma não é definitiva. Todos os que morreram desde Adão irão ressuscitar na Segunda Vinda de Cristo. Disse Jesus: “Não vos maravilheis disto, porque vêm a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo” (Jo 5.28,29). Na Confissão de Fé de Westminster encontramos a seguinte declaração: “Os corpos dos injustos serão, pelo poder de Cristo, ressuscitados para a desonra; os corpos dos justos serão, pelo seu Espírito, ressuscitados para a honra e para serem semelhantes ao próprio corpo glorioso de Cristo”.[1] 
O ser humano é um todo, podendo ser definido como uma comunidade integrada de corpo e alma. Embora os que morreram no Senhor já estejam desfrutando da verdadeira alegria na presença de Jesus, essa alegria não será completa até que seus corpos ressuscitem dentre os mortos. O Breve Catecismo de Westminster diz: “Na ressurreição, os crentes, sendo ressuscitados em glória, serão publicamente reconhecidos e absolvidos no dia do juízo, e tornados perfeitamente felizes no pleno deleite de Deus, por toda a eternidade”.[2] A plenitude da alegria dos salvos consiste da ressurreição do corpo e da nova terra que Deus criará como culminação de sua obra redentora em Cristo Jesus. Segundo Antony Hoekema, “deixar a nova terra fora de nossa consideração ao pensar no estado final dos crentes é empobrecer o ensinamento bíblico com respeito à vida futura”.[3] O corpo ressurreto e glorificado só pode habitar uma terra regenerada e restaurada.[4]
Os primeiros capítulos de Gênesis mostram que Deus prometeu a Adão e Eva nada além do que a própria terra como sua morada e herança: “E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra” (Gn 1.28). A Abraão, e sua descendência, Deus disse: “Dar-te-ei e à tua descendência a terra das tuas peregrinações, toda a terra de Canaã, em possessão perpétua, e serei o seu Deus” (Gn 17.8; cf. 13.15,17). É importante notar que Deus prometeu dar a terra de Canaã não somente para a descendência de Abraão, mas para o próprio Abraão também. Contudo, veja o que diz Estêvão em Atos 7.5: “Nela, não lhe deu herança, nem sequer o espaço de um pé; mas prometeu dar-lhe a posse dela e, depois dele, à sua descendência...”. Abraão nunca possuiu nem sequer um metro quadrado de chão na terra de Canaã, com exceção do local que comprou dos heteus para sepultar Sara, sua mulher (Gn 23).
Qual foi a atitude de Abraão a respeito da promessa de herança da terra de Canaã, que nunca se cumpriu durante sua vida? A resposta está em Hebreus 11.9,10: “Pela fé [Abraão], peregrinou na terra da promessa como em terra alheia, habitando em tendas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa; porque aguardava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e edificador”. Hoekema observa: “Quando se fala da ‘cidade que tem fundamentos’ devemos entender que se faz referência à santa cidade ou a nova Jerusalém que se encontrará na nova terra. Abraão, em outras palavras, antecipava a nova terra como o cumprimento real da herança que se lhe havia prometido – e assim o fizeram todos os outros patriarcas”.[5]
Que os outros patriarcas também aguardavam “a cidade que tem fundamentos” está claro em Hebreus 11.13-16: “Todos estes morreram na fé, sem ter obtido as promessas; vendo-as, porém, de longe, e saudando-as, e confessando que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra. Porque os que falam desse modo manifestam estar procurando uma pátria. E, se, na verdade, se lembrassem daquela de onde saíram, teriam oportunidade de voltar. Mas, agora, aspiram a uma pátria superior, isto é, celestial. Por isso, Deus não se envergonha deles, de ser chamado o seu Deus, porquanto lhes preparou uma cidade”. Essa “cidade” ou “pátria superior” é aquela mesma da qual Paulo disse aos filipenses: “Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp 3.20). A mesma cidade que João vê descendo do céu, tornando céu e terra uma coisa só: “Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo. Então, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens, Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras cousas passaram” (Ap 21.2-4).
O Salmo 37.11 diz que “os mansos herdarão a terra”, num sentido localista. No Sermão do Monte (Mt 5.5), Jesus aplica o referido salmo num sentido universal.[6] Algo parecido encontramos em Gênesis 17.8 e Romanos 4.13, respectivamente: “Dar-te-ei e à tua descendência a terra das tuas peregrinações, toda a terra de Canaã, em possessão perpétua, e serei o seu Deus”. “Não foi por intermédio da lei que a Abraão ou a sua descendência coube a promessa de ser herdeiro do mundo...”. Observe que a terra de Canaã em Gênesis 17.8 se transforma em mundo em Romanos 4.13.
Jesus disse aos discípulos: “Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar” (Jo 14.2). William Hendriksen comenta: “... Jesus afirma que nesta grande casa há muitas mansões ou moradas. Em outras palavras, o céu não se assemelha a uma moradia, onde cada familiar talvez ocupasse um quarto. Pelo contrário, se parece muito mais com um belo edifício, com apartamentos ou moradas espaçosos e totalmente mobiliados, não como um cortiço qualquer”.[7]

“A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus. Pois a criação está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora. E não somente ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo”
(Rm 8.19-23).



Bibliografia:
A CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER. 3ª ed. São Paulo: Cultura Cristã, 1997.
HENDRIKSEN, William. A vida futura segundo a Bíblia. 2ª ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2004.
HOEKEMA, Antonio A. La Biblia y el futuro. Grand Rapids: SLC, 1984.
KENNEDY, D. James. Verdades que transformam. 2ª ed. São José dos Campos: Fiel, 1986.
O BREVE CATECISMO DE WESTMINSTER. São Paulo: Cultura Cristã, 2003.
SUMMERS, Ray. A vida no além. 2ª ed. Rio de Janeiro: Juerp, 1979.


[1] XXXII, 3.
[2] Resposta 38. Itálico meu.
[3] A. A. Hoekema. La Biblia y el futuro. Grand Rapids: SLC, 1984, p. 309. No Antigo Testamento, por três vezes o profeta Isaías fala da promessa divina de uma “nova terra” (Is 51.16; 65.17; 66.22). No Novo Testamento o mesmo é dito por Pedro (2Pe 3.13) e João (Ap 21.1). Veja a interpretação dessas passagens e o significado do adjetivo “nova” em Hoekema, op. cit, p. 229-31, 314-19; Ray Summers. A vida no além. 2ª ed. Rio de Janeiro: Juerp, p. 176.
[4] Veja “O estado final dos justos: Com o que o novo universo se parecerá?”. In: William Hendriksen. A vida futura segundo a Bíblia. 2ª ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2004, p. 257-60; Hoekema, op. cit., p. 308-22; Ray Summers, op. cit., p. 171-79.
[5] Hoekema, op. cit., p. 313.
[6] Idem, p. 316.
[7] W. Hendriksen, op. cit., p. 263. Para uma sugestão de como seriam “as muitas moradas da casa do Pai”, consulte D. James Kennedy. Verdades que transformam. 2ª ed. São José dos Campos: Fiel, 1986, p. 154,55. Para um estudo detalhado sobre “a ressurreição do corpo” e “a nova terra”, veja Hoekema, op. cit., p. 269-84, 308-22.

O Ciclo do Espírito – Parte 2

Josivaldo de França Pereira


O ciclo das descidas do Espírito Santo não está restrito ao livro de Atos. O Espírito continua descendo sobre todos os que dele necessitam. Segundo Pierson, “Alguns estudiosos falam de um "Pentecostes samaritano" e de um "Pentecostes gentílico" que sucedeu o Pentecostes de Jerusalém. Não podemos fazer o mesmo de modo nenhum, é claro. O primeiro Pentecostes, quando o Espírito foi derramado sobre os crentes, foi único. No entanto, existe um sentido segundo o qual estes termos estão corretos. O Espírito veio sobre a igreja de Jerusalém para prepará-la e capacitá-la para a sua missão. Mais tarde, pela vinda sobre os crentes de Samaria e então sobre os gentios, de modo tão claro e dramático, o Espírito aumentou a compreensão da igreja acerca da sua missão e preparou-a para os próximos passos. O Espírito do Cristo ressurreto continuava a liderar a sua igreja para fora dos limites de Jerusalém e da sua familiar cultura judaica em direção a outros povos, lugares e culturas – até aos confins da terra”.[1]
À semelhança do que foi dito acima por Pierson, é por isso que nos dias de hoje também podemos falar, em certo sentido, de um Pentecostes coreano, africano e, como assim esperamos, brasileiro e mundial. Tudo que o Espírito Santo fez em Atos visa a ação missionária da igreja. O Pentecostes, por exemplo, não aconteceu para que a igreja vivesse em torno de si mesma, comodamente, degustando tão somente aquela experiência sobrenatural. No Pentecostes o Espírito Santo capacitou a igreja e continuaria capacitando-a para ser testemunha de Jesus em todo o mundo. Os dons ou manifestações do Espírito (línguas, curas, profecias, etc.) foram dados pelo Espírito Santo com o objetivo de que a igreja testemunhasse de Jesus ao redor do mundo. Nada do que a igreja recebe do Espírito tem nela um fim em si mesmo.
No passado o Espírito Santo e a Igreja Primitiva deram continuidade ao que Jesus começou a fazer e a ensinar. Hoje, é possível que nosso maior desafio seja o de jamais esquecer que a missão do Espírito e da igreja cristã não terminou com Atos 28.


[1] Paul E. Pierson, Atos que contam. Londrina: Descoberta, 2000, p. 111,112. V. t. John R. W. Stott, Batismo e plenitude do Espírito Santo. 2a ed. São Paulo: Vida Nova, 1986, p. 15-55; Frederick D. Bruner, Teologia do Espírito Santo. 2a ed. São Paulo: Vida Nova, 1986, p. 122-166; G. E. Ladd, Teologia do Novo Testamento. 2ª ed. Rio de Janeiro: Juerp, 1986, p. 326.

O Ciclo do Espírito – Parte 1

Josivaldo de França Pereira


Jesus ordenou aos seus discípulos que “em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém” (Lc 24.47). Disse-lhes ainda: “mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra” (At 1.8). É interessante notar como o ciclo de descidas do Espírito Santo se realiza no livro de Atos.
No dia de Pentecostes o Espírito Santo desceu sobre os discípulos como Jesus prometera. Os que presenciaram o ocorrido em Atos 2.1-4 eram judeus vindos de toda parte do mundo: “Ora, estavam habitando em Jerusalém judeus, homens piedosos, vindos de todas as nações debaixo do céu” (At 2.5). Muitos judeus foram salvos naquele dia. O Espírito Santo desceu sobre os judeus na terra dos judeus e, como o próprio Jesus havia dito, a pregação do evangelho começava por Jerusalém (At 2.6-11), o que incluía, evidentemente, a Judéia.
Em Atos 8 o evangelho chega aos samaritanos. Aqueles de Samaria, por quem Pedro e João oravam e impunham as mãos, recebiam o Espírito Santo (At 8.14-17). Os samaritanos eram mestiços: meio judeus e meio gentios. O Espírito desceu sobre mestiços na terra dos mestiços. Mais tarde Pedro vai até a cidade de Cesaréia para atender o chamado de um centurião romano de nome Cornélio. Pedro pregou o evangelho aos gentios que ali estavam. “Ainda Pedro falava estas cousas quando caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra. E os fiéis que eram da circuncisão, que vieram com Pedro, admiraram-se, porque também sobre os gentios foi derramado o dom do Espírito Santo; pois os ouviam falando em línguas e engrandecendo a Deus...” (At 10.44-46). Isso não é maravilhoso? O Espírito Santo desceu sobre gentios na terra dos judeus. Mas ainda não é tudo.
Em Éfeso Paulo encontra um grupo de uns doze homens, discípulos de João Batista, que não havia recebido o Espírito Santo. Paulo evangelizou aqueles homens e os batizou em nome de Jesus. “E, impondo-lhes as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e tanto falavam em línguas como profetizavam” (At 19.6). O Espírito Santo desceu sobre judeus na terra dos gentios, completando-se, assim, o ciclo de descidas do Espírito no livro de Atos.