segunda-feira, 14 de maio de 2012

Amor, sublime amor - lançamento


Caríssimo irmão, distinta irmã, é com muita alegria em meu coração que estou lançando mais um livro: Amor, Sublime Amor.

"Este livro traz a lume uma coletânea de 23 mensagens bíblicas cheias de lições preciosas, extraídas depois de muita pesquisa e interpretadas com zelo pelo autor. As mensagens que temos nesta obra servirão de lenitivo para muitos corações. Estou certo de que muitas vidas serão alcançadas por estas palavras que encantam os olhos, aquecem o coração, enriquecem a alma e trazem vida, vida de Deus para os leitores. Leia, portanto, este livro com o coração sedento, certo que encontrará uma fonte que jorra para a vida eterna, uma vez que este livro não é um manual de autoajuda, mas um reservatório de ajuda do alto." (Do Prefácio)


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Josivaldo F Pereira

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Grato,
Rev. Josivaldo de França Pereira.

terça-feira, 1 de maio de 2012

“Tu me amas?”: A mensagem de João 21.15-17

Josivaldo de França Pereira


Certamente uma das perguntas mais intrigantes que o Cristo ressurreto fez a um reles mortal foi esta: “Tu me amas?”. E no caso de Pedro uma inquietação ainda maior surgiria porque este discípulo, a pouco, havia negado o Mestre três vezes. No entanto, a tripla indagação não veio em forma de revanche ou acusação. Ela está repleta da ternura de quem busca a ovelha perdida para restaurá-la – Jesus.
Nos Evangelhos o amor que devemos ter com os irmãos e os inimigos aparece sempre no modo imperativo (cf. Mt 5.44; Lc 6.27,45; Jo 15.12,17). Jesus ordena: “Amai”! Ele nunca diz que o amor é algo que devemos simplesmente sentir pelo nosso semelhante. Amai é um mandamento imperativo. Entretanto, quando Jesus fala do amor que devemos ter para com ele, o verbo amar aparece no presente do indicativo (cf. Jo 14.15) e, em João 21.15-17, na forma da indagação que espera um “sim” definitivo. E mesmo que a resposta não venha de imediato na primeira ou segunda vez, Jesus, que conhece o nosso íntimo, insiste novamente, e, de novo, sem usar o imperativo “amai-me!”. Aquele que ternamente pergunta: “Tu me amas?”, aguarda um sincero: “Sim, Senhor, tu sabes que te amo”, no presente do indicativo também!
Alguns estudiosos têm-se limitado a examinar o texto de João 21.15-17 em torno das palavras gregas “agapáo” e “filéo”. Dois verbos para “amar”. Hendriksen, por exemplo, assegura que em João 21.15-17 existe uma semântica diferente entre os dois termos. Segundo ele, agapáo é o verbo da classe mais elevada de amor, enquanto filéo é o verbo do amor subjetivo de afeto.[1] Carson discorda do ponto de vista de Hendriksen e conclui: “Talvez eu devesse acrescentar que não estou sugerindo que não há nada distinto sobre o amor de Deus. As Escrituras insistem que há. Mas o conteúdo do amor de Deus não está relacionado em termos diretos com o campo semântico de qualquer palavra ou grupo de palavras. O que a Bíblia tem a dizer sobre o amor de Deus é transmitido por meio de frases, parágrafos, discursos, e assim por diante; isto é, por meio de unidades semânticas maiores que a palavra”.[2] Bruce segue a mesma linha de Carson quando diz que “aqui [em Jo 21.15-17] a base é precária para sustentar uma distinção entre os dois sinônimos”.[3] Calvino, embora não diga de forma explícita, parece considerar os dois verbos igualmente idênticos em seu significado.[4]
A ênfase de João 21.15-17 não está na distinção entre agapáo e filéo, mas no diálogo em si, ou seja, Jesus quer saber se Pedro o ama, o quanto Pedro o ama e como Pedro deve amá-lo. A primeira pergunta talvez seja a mais difícil das três porque está acompanhada de um complemento crucial: “Amas-me mais do que estes outros?”. A expressão “estes outros” sugere os outros discípulos (cf. Jo 21.1-14). Em outras palavras Jesus estaria perguntando a Pedro: “Você me ama mais do que estes outros discípulos me amam?”. Naturalmente Pedro não tinha como saber. Então, por qual razão Jesus fez essa pergunta? Justamente para colocar o impulsivo Pedro em seu devido lugar. Há pouco tempo Pedro achava que amava a Jesus mais que todo mundo. “Disse-lhe Pedro: Ainda que venhas a ser um tropeço para todos, nunca o serás para mim” (Mt 26.33). Agora, em resposta à pergunta de Jesus, Pedro reafirma seu amor, porém, recusa-se a fazer qualquer comparação com os outros. Ele simplesmente diz: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo”. E para por aí.
Pedro se nega a dizer o tamanho do seu amor em comparação com os outros discípulos. Jesus não insiste na comparação. Apenas diz a Pedro como esse amor deve ser demonstrado: “Apascenta os meus cordeiros”. Jesus não desiste de Pedro. Nas outras vezes em que o Mestre pergunta: “Tu me amas?” e Pedro diz que sim, o Senhor de novo ensina como Pedro deve amá-lo: “Apascenta, pastoreia as minhas ovelhas”. É o processo de restauração daquele que seria o grande líder da Igreja de Jesus (cf. Mt 16.18,19).
Pedro aprendeu tão bem a lição do amor que mais adiante diria em uma de suas cartas: “pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho” (1Pe 5.2,3).



[1] Cf. Guillermo Hendriksen, Comentário del Nuevo Testamento: El Evangelio Según San Juan. Grand Rapids: SLC, 1987, p. 761-765,771-775.
[2] D. A. Carson, O perigos da interpretação bíblica: a exegese e suas falácias. 2ª ed. São Paulo: Vida Nova, 2005, p. 50. Nota 64.
[3] F. F. Bruce, João: introdução e comentário. Série Cultura Bíblica. São Paulo: Vida Nova/Mundo Cristão, 1987, p. 345.
[4] John Calvin, Commentary on John. Vol. 2. Texto disponível na Internet: http://www.biblestudyguide.org/comment/calvin/comm_vol35/htm/xi.ii.htm. Acesso em: 27/02/2012.

Rufo, o eleito do Senhor

Josivaldo de França Pereira


Quem é o Rufo de Romanos 16.13 a quem Paulo recomenda saudações, dizendo: “Saudai Rufo, eleito no Senhor, e igualmente a sua mãe, que também tem sido mãe para mim”? Seria esse o mesmo Rufo filho de Simão Cireneu (o que foi forçado a carregar a cruz de Cristo) e irmão de Alexandre, mencionado pelo evangelista Marcos (Mc 15.21)? A tradição cristã corrobora com essa possibilidade e a maioria dos comentaristas bíblicos também não a descarta. Segundo Hendriksen, “a opinião popular, cuja data recua aos primeiros séculos, de que as duas fontes se referem ao mesmo indivíduo, é possível que seja correta. No entanto, não podemos ter certeza”.[1]
Embora não possamos afirmar com exatidão que o Rufo de Marcos 15.21 seja o mesmo de Romanos 16.13, também não há prova contrária de que não possa ser. De acordo com Bruce, Rufo é um “nome de origem itálica, e não tanto latina, encontrado por duas vezes no Novo Testamento (Mc 15.21; Rm 16.13), provavelmente referindo-se ao mesmo indivíduo”.[2] Marcos, que com toda probabilidade escreveu seu Evangelho em Roma para os romanos[3], menciona “Simão Cireneu... pai de Alexandre e Rufo” como se dissesse: “pessoas que vocês, em Roma, conhecem bem”.[4] Paulo, que também escreveu aos romanos, coincidentemente fala de um Rufo que se encontra em Roma.
Considerando que o Rufo de Marcos 15.21 é o mesmo de Romanos 16.13, por que Simão Cireneu não é citado por Paulo? E Alexandre? Não era este tão conhecido pela igreja quanto Rufo? Simão, um judeu do norte da África, possivelmente estava em Jerusalém para a festa da páscoa. Ali conheceu Jesus e toda sua família se tornou cristã. Quando Paulo redigiu sua carta aos romanos, Simão Cireneu devia estar morto, visto que se assim não fosse o apóstolo mencionaria o nome dele quando citou a mãe de Rufo.
Parece que Alexandre era o irmão mais velho de Rufo porque Marcos menciona o nome dele primeiro. Quão mais velho era Alexandre em relação a Rufo é impossível saber. Alguns comentaristas sugerem que Paulo não cita o nome de Alexandre em Romanos 16.13 talvez porque Alexandre já estivesse morto ou não fosse cristão. Prefiro os que dizem que Alexandre era cristão e que, provavelmente, não residia em Roma. 
Paulo saúda Rufo com uma das mais belas declarações que um colaborador poderia receber do apóstolo dos gentios: “Saudai Rufo, eleito no Senhor...”. O que significa em Paulo ser alguém eleito no Senhor? Todos sabem que a doutrina da predestinação, ou eleição, é uma das preferidas de Paulo. Somente em sua epístola aos Romanos o apóstolo dedica três capítulos ao assunto (Rm 9-11). Com isso em mente, a Assembleia de Westminster (1643-1649) declarou em sua Confissão de Fé (III,vi): “Assim como Deus destinou os eleitos para a glória, assim também, pelo eterno e mui livre propósito de sua vontade, preordenou todos os meios conducentes a esse fim; os que, portanto, são eleitos, achando-se caídos em Adão, são remidos por Cristo, são eficazmente chamados para a fé em Cristo, pelo seu Espírito que opera no tempo devido, são justificados, adotados, santificados e guardados pelo seu poder, por meio da fé salvadora. Além dos eleitos não há nenhum outro que seja remido por Cristo, eficazmente chamado, justificado, adotado, santificado e salvo”.
Conquanto o conceito doutrinário da eleição seja mercante nos escritos de Paulo, e bem representado na Confissão de Fé de Westminster, ao que tudo indica não é esse o sentido (ou pelo menos não unicamente) do adjetivo “eleito” (ekléktos) em Romanos 16.13. “Eleito” aqui deve ser entendido mais como um título de honra, como o apóstolo faz com Epêneto, Amplíato e Apeles, entre outros, porque, no sentido doutrinário, o que Paulo diz de Rufo pode ser facilmente aplicado a todos os crentes em geral, e aos seus colaboradores de Romanos 16, em especial.
Geoffrey Wilson parece estar correto quando em seu comentário de Romanos 16.13 afirma: “’Eleito no Senhor’ não se refere à eleição para a salvação, pois esta é comum a todos os crentes; significa que ele [Rufo] era um cristão de destaque (cf. Denney: ‘aquele cristão extraordinário)”.[5]
Champlin segue o mesmo raciocínio de Wilson. Diz ele: Eleito “é palavra descritiva de Rufo. Neste caso, o mais provável é que tal vocábulo não deve ser compreendido em qualquer sentido técnico ou teológico, como ‘escolhido por Deus’, embora certamente isso também suceda no seu caso, mas antes, devemos compreendê-lo como uma espécie de sinônimo de ‘eminente’, isto é, distinguido por sua graça, por seu serviço e por sua especial elevação de caráter”.[6] Por conseguinte, a adição de “no Senhor” significaria que Rufo mostrava distinguir-se como crente em Cristo Jesus.[7]
Uma nota carinhosa e singela é a menção de Paulo à mãe de Rufo. A saudação do apóstolo não é dirigida apenas a Rufo, porém, “igualmente a sua mãe, que também tem sido mãe para mim”, diz o apóstolo.  Essas palavras sugerem uma profunda afeição de Paulo pela família de Rufo. E esta senhora, com certeza bem idosa e provavelmente viúva na época, é lembrada pelo apóstolo Paulo como uma mãe para ele, por sua importância na vida e ministério dele, tratando-o como um filho seu. “Exatamente onde e quando foi que a mãe de Rufo se fez mãe de Paulo não sabemos. O fato é que aqui, como ocorre com frequência, o apóstolo uma vez mais prova que aprecia o que os membros femininos têm feito e estão fazendo por ele, pessoalmente, e pela igreja, para a glória de Deus”.[8]
Diante do exposto até aqui, a conclusão que chegamos sobre Rufo é que ele era um crente admirável; companheiro leal e um filho excelente. Não é por acaso que o apóstolo Paulo o denominou de “eleito no Senhor”. E você, caro leitor, como acha que Paulo o chamaria se ele vivesse nos dias de hoje?



[1] William Hendriksen, Comentário do Novo Testamento: Romanos. São Paulo: Cultura Cristã, 2001, p. 669. Itálico do autor.
[2] F. F. Bruce, Rufo. In: O Novo Dicionário da Bíblia. São Paulo, 2003, p. 1418.
[3] Cf. Guillermo Hendriksen, Comentário del Nuevo Testamento: El Evangelio Según San Marcos. Grand Rapids: SLC, 1987, p. 11-27.
[4] Idem, p. 656.
[5] Geoffrey B. Wilson, Romanos: Um resumo do pensamento reformado. São Paulo: PES, 1981, p. 218.
[6] R. N. Champlin, O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo: Atos/Romanos. Vol. 3. São Paulo: Hagnos, 2002, p. 879. Veja também John Murray, The Epistle to the Romans. Grand Rapids: Wm. B. W. Eerdmans Publishing Co., 1987, p 231. Para um ponto de vista diferente, consulte Hendriksen, op. cit., p. 669.
[7] Ibidem.
[8] Hendriksen, p. 669,70.