quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Bíblia, Ciência e Religião

Josivaldo de França Pereira

 
Não existe oposição alguma entre a Bíblia e a verdadeira ciência. “A Ciência precisamente estabelecida e a Bíblia corretamente interpretada nunca cairão em contradição” (Adauto Lourenço). Somente quando hipóteses e teorias não provadas cientificamente são apresentadas como se fossem Ciência e, principalmente, seguem na contramão do que a Palavra de Deus ensina, é preciso que elas sejam descartadas. Exemplos clássicos são as teorias da evolução de Charles Darwin e do Big Bang, difundida por Carl Sagan.
Vale ressaltar que a Bíblia não deve ser tomada como se fosse um tratado científico. Ela antecede a ciência moderna e, por isso, tem uma linguagem própria, comum, não-técnica. É o caso de Josué 10.12-14. Durante a batalha contra cinco reis dos amorreus, Deus deu a Israel o poder de vencer seus inimigos. Como os exércitos dos amorreus fugiam de Israel, Josué pediu ao Senhor que fizesse com que o sol e a lua parassem. Assim eles poderiam ter luz do dia suficiente para completar a destruição de seus inimigos. “E o sol se deteve, e a lua parou até que o povo se vingou de seus inimigos... O sol, pois, se deteve no meio do céu e não se apressou a pôr-se, quase um dia inteiro” (Js 10.13).
Como o sol poderia ficar parado no céu quase um dia inteiro? Na verdade não foi o sol que parou. Isso é o que aparentou ser aos olhos de quem observava da terra. A intervenção divina foi no planeta terra, em seu movimento de rotação, isto é, o movimento giratório de 24h que a terra realiza ao redor do seu eixo. Norman Geisler e Thomas Howe destacam: “As Escrituras foram escritas em tempos antigos, com padrões antigos, e seria algo anacrônico impor sobre elas padrões científicos modernos. Contudo, não é menos científico falar que ‘o sol se deteve’ (Js 10.13) do que se referir ao ‘nascer do sol’ (Js 1.15). Ainda hoje os meteorologistas mencionam todo dia sobre a hora do ‘nascer’ e do ‘pôr-do-sol’”.
Pelo fato de não conhecer as Escrituras e nem o poder de Deus, o tribunal da Inquisição condenou Galileu Galilei no século XVI por defender a concepção heliocêntrica do sistema solar, em oposição ao geocentrismo ptolomaico – que considerava a terra o centro estático do universo, em volta da qual giravam planetas e estrelas – favorecido pela doutrina oficial da Igreja Católica.  Galileu, um dos criadores da Ciência moderna, tornou-se prisioneiro da Inquisição por ter dito que a terra girava em torno do sol. Essa tese era considerada contrária às Sagradas Escrituras, e o cientista foi condenado à prisão domiciliar perpétua.
Conquanto a Bíblia não seja um livro científico, ela tem dado contribuições significativas à Ciência. Por exemplo: Ptolomeu (séc. II A. D.) provou cientificamente que a terra é redonda, no entanto, cerca de 800 anos antes de Cristo o profeta Isaías disse: “Ele (Deus) é o que está assentado sobre a redondeza da terra...” (Is 40.22).[1] A descoberta da impressão digital no século XIX se deu com a leitura de Jó 37.7: “Ele sela as mãos de todo o homem...” (ARC).
A Ciência só será contrária à Bíblia se for uma falsa ciência. A Bíblia, por sua vez, jamais se oporá a um avanço científico que glorifique o nome de Deus.
Há quem pense, ainda, que Ciência e Religião são duas realidades totalmente incompatíveis. Elas não são incompatíveis nem mesmo parcialmente. “A Ciência e a Religião não são antagônicas, mas irmãs. Ambas procuram a verdade derradeira. A Ciência ajuda a revelar, de uma maneira mais acentuada, acerca do Criador, através de sua criação” (Gustave Le Bon).
Segundo Phillip Henry, “Quem pensa que pode haver um conflito entre Ciência e Religião deve ser muito incompetente em Ciência ou muito ignorante em Religião”.
Voltaire, um filósofo iluminista francês, afirmou: “Uma falsa ciência faz com que nos tornemos ateus; mas a verdadeira ciência prosta o ser humano diante da Divindade”. E Frances P. Cobbe complementou: “A Ciência é apenas um monte de fatos, não uma cadeia de verdades, se nos recusarmos a ligá-la ao trono de Deus”.
A Religião, na verdadeira concepção do termo, não é um conceito humano. Ela é essencialmente divina. A palavra “Religião” vem de uma contração latina (religare) que significa religar, ligar ou unir novamente, no caso o ser humano com sua origem divina perdida. A Religião é um dos fenômenos universais mais notáveis da vida humana, e a Ciência não tem como negar isso.
Comentando o texto de Eclesiastes 3.11, que afirma ter Deus colocado a eternidade no coração do homem, Miguel Rizzo destacou: “Por que será que colocou Deus a aspiração do infinito na alma humana? Naturalmente para que o homem não se degrade, levado por instintos que podem prendê-lo apenas à materialidade das coisas que passam”.
A necessidade de re-ligações com o divino é um dos fenômenos mais notáveis da vida humana. Os missionários testemunham a presença religiosa, de um modo ou de outro, entre todas as nações e tribos da terra. O ser humano tem sido descrito como “incuravelmente religioso”. Essa é apenas outra maneira de dizer que a espiritualidade é um fenômeno universal. Toda tentativa para extirpar a religiosidade do coração humano tem sido inútil. Até mesmo o filósofo e historiador escocês David Hume, famoso por seu ceticismo e oposição ao sobrenatural, disse certa vez: “Cuidado com as pessoas inteiramente vazias de Religião, e se de fato as achardes, ficai certos de que estão somente a alguns degraus afastadas dos brutos”.
Apesar da entrada do pecado no mundo, ainda existe muito de Deus no ser humano. O homem e a mulher foram criados à imagem e semelhança do Senhor. Essa imagem foi maculada pelo pecado, mas não anulada. Por isso, a alma do ser humano reclama pelo religare, a re-ligação humana com sua origem divina.
Quero concluir este capítulo com duas declarações de um dos maiores cientistas de todos os tempos – Albert Einstein. Disse ele: “Todas as especulações mais refinadas no campo da ciência provêm de um profundo sentimento religioso; sem esse sentimento, elas seriam infrutíferas”. E ainda: “Chegamos assim a uma concepção de relação entre Ciência e Religião muito diferente da usual... Sustento que o sentimento religioso cósmico é a mais forte motivação da pesquisa científica”.






[1] A ARC diz: “Ele é o que está assentado sobre o globo da terra”.

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