sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Fé Cristã e Evolucionismo

Josivaldo de França Pereira


Evolucionismo e fé cristã são incompatíveis. São como água e óleo, não se misturam jamais. Com isso não estou dizendo que um evolucionista não possa ser amigo de um cristão e vice-versa.[1] Estou dizendo que os conceitos e ideias evolucionistas e cristãos sobre a origem do ser humano, em especial, são tão distintos um do outro que é impossível um consenso ou meio termo entre a fé cristã e o evolucionismo. Não estou afirmando, também, que o homem não evolua científica e tecnologicamente. A Bíblia reconhece que a ciência, ou conhecimento humano, se multiplicaria (Dn 12.4). É com essa capacidade que o ser humano evolui nas artes, nas letras, nas ciências e em todos os aspectos da vida. 
Entre os animais também existem fatos de surpreendente beleza e sabedoria. Veja, por exemplo, a engenharia das abelhas. Elas constroem os favos, excelente obra de arte, onde armazenam o mel. No entanto, é somente isso que elas fazem e sempre do mesmo jeito durante milhares de anos. De igual forma, todos os outros animais em suas respectivas atividades. O homem e a mulher são diferentes. Sua inteligência os leva a criar novas condições de vida, a aperfeiçoar seus métodos e evoluir em seus inventos.
Contudo, se tomarmos como exemplo a origem das espécies (e eu não me refiro especificamente ao livro de Charles Darwin), o que evolucionismo e fé cristã entendem por origem da raça humana é totalmente desproporcional. Afirmar que o ser humano evoluiu de um primata[2] é negar o relato bíblico da criação, ou seja, que Deus criou o homem do pó da terra e a mulher de uma costela deste. Além disso, a Bíblia é muito clara quando diz que “uma é a carne dos homens, outra, a dos animais” (1Co 15.39). E mais: As aves de Gênesis 1, que aparecem no sexto dia da criação, não poderiam ser descendentes dos répteis que também surgiram no sexto dia; e se as criaturas marítimas do quinto dia incluíam animais mamíferos, então eles não poderiam ter como ancestrais os mamíferos terrestres, criados no sexto dia.
Via de regra, para a ciência, uma teoria é uma hipótese definitivamente comprovada. Mas não é sempre assim. Conquanto possamos dizer que a teoria da relatividade de Einstein seja uma teoria definitivamente comprovada, o mesmo não se pode dizer em relação à teoria da evolução. E por que não? Simplesmente porque a teoria da evolução (além de muita coisa não comprovada cientificamente por ela mesma) esbarra na veracidade do relato bíblico acerca da criação.
Ainda que Darwin não fosse ateu, o darwinismo hoje é essencialmente ateísta porque é condizente com sua ideologia. Não há como ser cristão e evolucionista ao mesmo tempo. O evolucionismo nega a existência do Deus Criador. Não tem como ser evolucionista e crer verdadeiramente em Deus. Quando Darwin publicou suas pesquisas, achou-se que por fim havia encontrado a chave do processo, porém, com o passar do tempo descobriu-se que a chave não servia na fechadura.
Nós vivemos num mundo incrédulo e materialista. Aceitar a obra da criação como se está na Bíblia é uma questão de fé na existência, poder e palavra de Deus. “Pela fé entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das cousas que não aparecem” (Hb 11.3).
O escritor aos Hebreus reconhece que a aceitação de um ato criador especialmente de Deus é possível somente pela fé. Além disso, o estudo da criação do universo é de grande importância para nossa fé porque (1) responde às indagações da mente inquiridora, por mais profundas que sejam. Enquanto muitos estão a se martirizar porque não conseguem responder ao que chamam de grande indagação: “De onde vim?”, o crente no Deus Criador é privilegiado porque não apenas sabe sua origem como também o seu fim (cf. Jo 11.25,26), e (2) coloca-o diante de um Poder Infinito e de uma Inteligência sem limites, o Ser Supremo que é o objeto de nossa fé. Deus permite que seu poder, divindade e glória se manifestem em sua criação com tanta nitidez que se tornam indesculpáveis aqueles que não querem “ver” o Criador na criação (Rm 1.20).
Diante de teorias que negam o Deus Criador, mais do que nunca os pais devem ensinar os filhos e os filhos aprenderem dos pais a verdadeira história da criação que se acha registrada nos capítulos 1 e 2 do Livro de Gênesis.




[1] Um bom exemplo de amizade entre um evolucionista e um criacionista é a do botânico Matthias Schleiden (evolucionista) e do fisiologista Theodor Schwann (criacionista). Eram grandes amigos e mantiveram essa estreita amizade ao longo da vida. Juntos descobriram no século XIX que plantas e animais são formados de células – a teoria celular, fundamental para a biologia.
[2] Por muito tempo os evolucionistas pensaram que o homem descendesse dos grandes macacos. Atualmente eles dizem que o homem, o chimpanzé e o gorila derivam, cada um separadamente, de um grupo de primatas que habitavam a Eurásia e África milhões de anos atrás; porém, na prática tal conceito não modifica em quase nada o anterior.