segunda-feira, 14 de julho de 2014

Discurso de formatura: 24 anos depois


DD. Senhores:
Presbítero Damocles Perrone Carvalho, representante do SC/IPB e da Junta Regional de Educação Teológica; Rev. Magnus Galeno Felga Fialho, representante do Conselho Diretor do Seminário Presbiteriano Rev. José Manoel da Conceição e demais membros; Rev. João Alves dos Santos, paraninfo da turma "Rev. Álvaro Reis"; Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa, orador sacro da turma "Rev. Álvaro Reis"; professores do Seminário J. M. C.; amados irmãos, prezados amigos...
Esta noite será um marco inesquecível para nós, formandos. É alegria que queremos compartilhar com todos vós, pois chegamos ao término de alguns anos de estudo como candidatos ao sagrado ministério.
Quando ingressamos no seminário, sonhávamos com este momento. Não que achássemos o estudo que haveríamos de seguir um fardo (apesar de termos tido algumas matérias bem pesadas), mas para que, um pouco mais preparados, pudéssemos, então, servir a igreja de Cristo.
Antes de iniciarmos o curso achávamos até que sabíamos algo e contribuiríamos muito com os professores em classe. Não foi nada disso. Tivemos muito que aprender.
O seminário nos auxiliou grandemente, dando-nos o ensino de que necessitávamos; e como seria impossível em poucos anos ensinar tudo, nos conscientizou do dever de continuarmos aprendendo sempre. O ministério deverá ser, portanto, a extensão do seminário para nós e a lição que ainda não aprendemos em sala de aula.
Uma vez formados exerceremos, em breve, o nosso ministério; porém, para que seja fecundo e frutífero, é necessário que envolva, pelo menos, dois ofícios fundamentais: os ofícios do pastor e do mestre.
Como pastores, apascentaremos o rebanho que o Supremo Pastor, Cristo Jesus, nos confiará. Tomaremos como recomendações as palavras do pastor e apóstolo Pedro, de apascentar o rebanho de Deus, que estará entre nós, com cuidado, não por força, mas voluntariamente: nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de modelo ao rebanho (1Pe 5.2-4).
Como mestres, teremos o compromisso de trazer ao conhecimento da igreja o que ela precisa saber através da Palavra de Deus. E não seremos mestres se antes de tudo não assumirmos, nós mesmos, um compromisso sério com a Escritura Sagrada e com o próprio Deus, de trazermos à luz do entendimento cristão a verdade da qual Ele é o autor.
Ensinaremos a sã doutrina de acordo com a Palavra de Deus e com os princípios da Igreja Presbiteriana do Brasil; Igreja esta que tem as Escrituras Sagradas como única regra de fé e prática e os Símbolos de Westminster como normas confessionais.
Não queremos ensinar nada que venha de nós mesmos e, muito menos, ser inovacionistas na doutrina. O que queremos e faremos é transmitir o ensino observado pelos "pais" reformados. Queremos imitá-los porque foram estes que se voltaram para a Palavra de Deus em uma época quando a igreja havia se desviado da verdade. Temo-los como "pais" porque nos consideramos seus "filhos". E, como filhos, possuiremos a herança cristã que, como por um testamento, nos foi confiada. Somos os herdeiros da Reforma, e, como tais, desejamos transmitir às nossas igrejas o melhor do pastorado e ensino da Reforma.
Neste instante, restam-nos ligeiros agradecimentos, mas não sem valor. Agradecemos aos pais, irmãos, esposas, noivas, namoradas e demais familiares pela compreensão e incentivo que nos deram durante o tempo de estudo. Às igrejas, nas quais trabalhamos e das quais somos membros, pelas orações constantes em nosso favor. Finalmente, porém não em último lugar, ao Deus Pai, que nos escolheu antes da fundação do mundo para o ministério da Palavra. Ao Deus Filho, pela redenção imerecida. Ao Deus Espírito Santo, pela vivificação e restauração de nossas almas que outrora estavam mortas e perdidas.
De nossa parte compete a renúncia do próprio "eu" e, se necessário, a entrega da própria vida para cumprirmos a tarefa para a qual fomos chamados. As palavras do apóstolo Paulo aos anciãos da igreja de Éfeso, em Atos 20.24, serão a marca distintiva desta nossa missão: "Em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus".
Paulo não considerava a sua própria vida uma possessão preciosa a ser conservada a qualquer custo. O que importava era chegar ao fim de sua carreira, mediante a realização fiel do serviço do qual o Senhor o encarregou na ocasião da sua conversão, a saber: pregar o evangelho da graça de Deus. O chamado para o ministério deverá ser, no seu cumprimento, o nosso mais alto ideal.
Reconhecemos, irmãos e amigos, que a salvação vem de Deus somente. Ele é soberano e nós, como ministros seus, nos colocamos em Suas mãos como nada sendo. A graça divina que nos vocacionou também nos capacitará para esta obra (1 Co 15.10). E por esta mesma graça pessoas serão conquistadas para o reino de Deus através de nossa pregação.
Quanto ao mais, oramos para que o Espírito Santo nos apresente perante Deus aprovados, como aquele obreiro que "não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade" (2Tm 2.15).


Bacharelando Josivaldo de França Pereira - Orador da Turma "Rev. Álvaro Reis"

São Paulo, 07 de julho de 1990, auditório "Rui Barbosa" (Mackenzie).

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