sexta-feira, 3 de julho de 2015

Vendo o invisível

A mensagem de 2Reis 6.16,17

Ele respondeu: Não temas, porque mais são os que estão conosco do que os que estão com eles. Orou Eliseu e disse: SENHOR, peço-te que lhe abras os olhos para que veja. O SENHOR abriu os olhos do moço, e ele viu que o monte estava cheio de cavalos e carros de fogo, em redor de Eliseu.


Josivaldo de França Pereira

O rei da Síria, Ben-Hadade I, fez guerra a Israel e, em conselho com os seus oficiais, disse: “Em tal e tal lugar estará o meu acampamento”. Mas o profeta Eliseu mandou dizer ao (provavelmente a Jorão, filho de Acabe) rei de Israel: “Guarda-te de passares por tal lugar, porque os siros estão descendo para ali”.
Então, o rei de Israel ordenou suas tropas para o local que Eliseu lhe tinha avisado, e assim se salvou por mais de duas vezes. Turbado com este incidente, o rei da Síria chamou os seus servos e lhes disse: “Não me fareis saber quem dos nossos é pelo rei de Israel?”. Um deles respondeu: “Ninguém, ó rei, meu senhor; mas o profeta Eliseu, que está em Israel, faz saber ao rei de Israel as palavras que falas na tua câmara de dormir”.
Ciente deste fato inusitado e sabedor de que Eliseu se encontrava na cidade israelita de Dotã, Ben-Hadade envia seu exército para capturar o profeta. Chegaram de noite e cercaram a cidade. Tendo-se levantado muito cedo o jovem auxiliar de Eliseu, ao sair de dentro de casa notou que tropas, cavalos e carros haviam cercado a cidade. Muitíssimo apavorado, o moço lhe diz: “Ai! Meu senhor! Que faremos?”.
O que segue é uma das mais belas demonstrações de fé relatadas na Bíblia: “Ele respondeu: Não temas, porque mais são os que estão conosco do que os que estão com eles. Orou Eliseu e disse: SENHOR, peço-te que lhe abras os olhos para que veja. O SENHOR abriu os olhos do moço, e ele viu que o monte estava cheio de cavalos e carros de fogo, em redor de Eliseu”.
Neste capítulo 6 do segundo livro dos Reis temos três orações do profeta Eliseu. Na primeira ele ora a Deus para que o seu moço veja além da dimensão física, ou seja, para que Deus lhe desse visão espiritual. Na segunda o profeta pede que o exército inimigo fique fisicamente cego e depois roga para que eles pudessem enxergar de novo.
Com Eliseu aprendemos que não devemos temer nenhuma força adversa contrária a nós se o Senhor estiver ao nosso lado. Que o favor divino e seu socorro vão além dos problemas que os nossos olhos carnais possam contemplar. E, finalmente, devemos viver pela fé sempre, contemplando o invisível como fizeram os heróis e heroínas que serviram o Senhor no passado. Acerca de Moisés, por exemplo, a Bíblia declara: “Pela fé, ele abandonou o Egito, não ficando amedrontado com a cólera do rei; antes, permaneceu firme como quem vê aquele que é invisível” (Hb 11.27).
A Bíblia relata ainda que o monte de Dotã estava cheio de cavalos e carros de fogo em redor de Eliseu. Deus protegeu seu servo fiel contra a fúria embravecida do adversário. É como diz o salmista: “O anjo do SENHOR acampa-se ao redor dos que o temem e os livra” (Sl 34.7).  “Em tempos de provação, existem sempre bastante proteção e auxílio divino disponíveis para o povo de Deus” (Donald Wiseman), cf. Sl 91.11; At 7.56; Rm 8.31.
Marcante é a atitude final de Eliseu com os soldados da Síria. Ao guiá-los até Samaria (cerca de 17km ao sul de Dotã) ele não permitiu que o rei de Israel lhes fizesse mal nenhum, mas que os alimentassem com pão e água e, depois, retornassem seguros para a Síria. Coisa de gente de Deus!
O rei de Israel ofereceu-lhes grande banquete. Após comerem e beberem despediu-os e foram para seu senhor. E da parte da Síria não houve mais investidas na terra de Israel.[1] Pagar o mal com o bem é a melhor saída em todas as épocas! (cf. Gn 50. 19-21; Mt 5.43-48; Rm 12.17-21).



[1] Não existe contradição entre os versículos 23 e 24 de 2Reis 6. A seção que começa em 2Reis 6.24 pode não estar diretamente relacionada com os eventos anteriores. Ben-Hadade era o nome do trono sírio, como Faraó para os egípcios e César para os romanos. O Ben-Hadade de 2Reis 6.8-23, conhecido como Ben-Hadade I (ou II conforme alguns estudiosos), de fato não tornou a invadir Israel. 

sábado, 16 de maio de 2015

Descendentes de Efraim (Comentário de 1Crônicas 7.20-27)

Josivaldo de França Pereira


Efraim e Manassés eram filhos de José e Azenate, filha de Potífera, sacerdote de Om, nascidos no Egito (Gn 41.50-52). Efraim era o segundo filho de José. Quando ele nasceu seu pai “chamou-lhe Efraim, pois disse: Deus me fez próspero na terra da minha aflição” (Gn 41.52). O nome Efraim significa “fértil”, ou “dupla fertilidade”, segundo Davis. Mesmo sendo o caçula de José, Jacó o fez primogênito no lugar de Manassés ao abençoá-los, propositalmente, com as mãos trocadas (Gn 48.13-20).
No primeiro livro das Crônicas encontramos detalhes dos descendentes de Efraim que não aparecem em nenhuma outra parte da Bíblia. Da sua prole (1Cr 7.20,21) temos “ainda Ezer e Eleade, mortos pelos homens de Gate, naturais da terra, pois eles desceram para roubar o gado destes” (1Cr 7.21).
Efraim era um homem de bem, mas teve dois filhos larápios. Eles foram mortos quando tentavam surrupiar o gado dos habitantes de Gate (região de Canaã) conhecidos também como filisteus, futuros arquiinimigos de Israel. De acordo com H. L. Ellison, a incursão para roubar gado deve ter partido do Egito e, segundo ele, todo o versículo 21 sugere ligações entre os israelitas e Canaã durante a sua estada no Egito.
A morte de Ezer e Eleade foi um golpe terrível para o pai deles. “Pelo que por muitos dias os chorou Efraim seu pai, cujos irmãos vieram para o consolar” (1Cr 7.22). Apesar de Ezer e Eleade morrerem de forma justa por causa de apropriação indébita, o choro de muitos dias de Efraim não podia ser diferente. Ambos eram seus filhos e morreram por não seguirem os conselhos do velho pai. Muitos filhos são educados da mesma maneira pelos pais, porém, nem sempre seguem na mesma direção.
Tempos depois Efraim teve outro filho “a quem ele chamou Berias, porque as cousas iam mal na sua casa” (1Cr 7.23). Não se sabe em que sentido as coisas iam mal na casa de Efraim. As coisas na casa de Efraim iam mal por conta de uma crise econômico-financeira? Problemas com outros filhos ou familiares? Novas ameaças dos homens de Gate? Poderiam ser em decorrência de um desses motivos, todos eles igualmente juntos ou outro fator desconhecido. Não sabemos.
A única certeza de fato é que as coisas não caminhavam bem na casa de Efraim. Elas iam tão mal que ele pôs o nome do filho recém-nascido de Berias, que em hebraico tem um som parecido com o da palavra “desastre” (NEB), “tribulação” (GNB) ou “desgraça” (NVI).
Às vezes achamos que estamos na pior, até que o pior, de verdade, nos sobrevém, ou continua. Como se não bastasse a morte dos filhos, as coisas na casa de Efraim não andavam nada bem. Contudo, Deus é fiel, benigno e cheio de compaixão! E um novo amanhecer resplandece na face de Efraim – sua filha. “Sua filha foi Seerá, que edificou a Bete-Horom, a de baixo e a de cima, como também a Uzém-Seerá” (1Cr 7.24).
Que contraste tremendo! Enquanto Ezer e Eleade foram causas de vergonha, lamento e choro para o pai, Seerá foi a alegria e orgulho dele. Ao contrário de seus dois irmãos ladrões, Seerá tornou-se uma mulher trabalhadeira e empreendedora, construindo as cidades de Bete-Horom e Uzém-Seerá com o trabalho de suas mãos.
E Berias, aquele que recebeu um nome de significado ruim, teria um descendente ilustre chamado Josué (1Cr 7.25-27), o sucessor de Moisés e conquistador da Terra Prometida.
A Bíblia é verdadeira quando diz: “... Ao anoitecer, pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã” (Sl 30.5). Você chora hoje, mas sorrirá amanhã. Tenha fé em Deus!

Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu Deus além de ti, que trabalha para aquele que nele espera.
(Isaías 64.4)