sábado, 18 de julho de 2020

O agir de Deus nos intervalos da vida

A mensagem de Marcos 5.21-43

Josivaldo de França Pereira

Assim que Jesus retornou de Gadara afluiu para ele grande multidão. Nesse instante aproximou-se um dos principais da sinagoga, chamado Jairo. Ao ver Jesus, o homem se prostrou a seus pés e insistentemente lhe suplicou: “Minha filhinha está à morte; vem, impõe as mãos sobre ela, para que seja salva, e viverá” (Mc 5.23).
Jesus foi com ele, levando consigo seus doze discípulos. Jairo era um homem de fé, mas de onde ele estava até chegar em sua casa, essa fé seria fortemente provada. É que na viagem de retorno ao lar o chefe da sinagoga experimentaria o agir de Deus nos intervalos da vida, na pessoa de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
E como Jairo aprenderia, nós também podemos perceber o agir de Deus nos intervalos da vida, mesmo quando o Senhor se volta na direção contrária. Jesus parou e virou para perguntar aos seus discípulos: “Quem me tocou nas vestes?” (Mc 5.30). Foi uma mulher enferma de hemorragia que há doze anos precisava de ajuda. "Porque dizia: Se eu apenas lhe tocar as vestes, ficarei curada" (Mc 5.28). Com certeza a repentina parada deixou o pai da menina ainda mais aflito e angustiado.
Naquele momento Jairo receberia outra lição importante: Deus age nos intervalos da vida mesmo quando Jesus atende uma necessidade mais urgente que a nossa. Temos a tendência equivocada de achar que os nossos problemas são sempre maiores que os dos outros e a sua solução é para ontem. O sofrimento daquela mulher não podia ser protelado, pois sua longa enfermidade de doze anos a deixara desanimada, desprovida de recursos, cerimonialmente impura e fisicamente fraca (Mc 5.26; cf. Mt 9.22). 
Pensamos, muitas vezes, que os nossos padecimentos e tribulações estão mais elevados que os montes, e quando eles não são imediatamente sanados perdemos toda a esperança. Os salmistas entoaram: "Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações" (Sl 46.1). E ainda: "Elevo os olhos para os montes: de onde me virá o socorro? O meu socorro vem do SENHOR, que fez o céu e a terra" (Sl 121.1,2).
No entanto, não é a segurança dos salmistas que temos aqui no texto de Marcos 5, pelo menos não em relação a Jairo, pois àquela altura da jornada Jesus havia interrompido a caminhada à casa do já desesperado pai, falara com seus discípulos, ouviu a pobre mulher, e depois disse a ela: “Filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz e fica livre do teu mal” (Mc 5.34). Jesus a curou emocional, física e espiritualmente.
A mulher tinha de enfermidade o tempo que a filha do chefe da sinagoga tinha de idade. A menina ficou adoentada poucos dias, enquanto a debilitada mulher sofria terrivelmente há tantos anos. Na verdade, Jesus estava mostrando a Jairo que todo aquele que nele crer, ainda que nos intervalos da vida, verá a glória do Senhor (cf. Jo 11.40). Fé é acreditar que na aparente demora de Deus ele nos ouve e atende (cf. Lc 18.7,8a).
Contudo, Jairo também descobriria que Deus age nos intervalos da vida mesmo quando a fé está ameaçada pelo medo. “Falava ele ainda, quando chegaram alguns da casa do chefe da sinagoga, a quem disseram: Tua filha já morreu; por que ainda incomodas o Mestre? Mas Jesus, sem acudir a tais palavras, disse ao chefe da sinagoga: Não temas, crê somente” (Mc 5.35,36). O ser humano só pode vencer o medo à luz da fé. "A minha fé em Cristo me proporciona a coragem para realizar aquilo que mais temo" (D. C. Everhart).
Os homens que foram até Jairo com a notícia aterradora da morte de sua filhinha não faziam ideia que estavam diante de quem é a ressurreição e a vida. Exatamente o que Jesus disse à Marta por conta do falecimento de Lázaro (Jo 11.25). O pai da menina estava prestes a ver com seus próprios olhos que a morte não tem a última palavra. Jesus é a ressurreição e a vida, quem nele crê, ainda que morra viverá; e todo que vive e crê nele não morrerá, eternamente (cf. Jo 11.25,26).
Por fim, Deus age nos intervalos da vida mesmo quando não contamos com uma atuação ainda mais extraordinária e inesperada dele. Jairo desejava simplesmente a cura de sua filha agonizante. Ele tinha fé para isso (cf. Mc 5.23); porém, Jesus lhe faria ver algo maior. Não passava na cabeça de ninguém ali presente que Cristo ressuscitaria a menina. A partir daquele ponto o Mestre não permitiu que nenhuma pessoa mais o acompanhasse na visita à casa de Jairo, exceto Pedro e os irmãos Tiago e João.
Chegando ao lar do chefe da sinagoga, Jesus se deparou com o alvoroço das carpideiras que choravam e pranteavam muito. Uma encenação pífia desmascarada logo na entrada, quando o Senhor disse: “Por que estais em alvoroço e chorais? A criança não está morta, mas dorme” (Mc 5.39). Para Cristo, a morte que será interrompida pela ressurreição não é morte (cf. Jo 11.11). “E riam-se dele" (Mc 5.40).
Quem não acredita no poder de Deus não é digno de ficar nem ao menos na sala de estar para contemplar os milagres do Senhor. Desse modo, mandou Jesus que todos saíssem da casa. Acompanhado dos pais da menina e seus três discípulos, entrou onde ela estava. Tomando-a pela mão, o Mestre amado ordenou que a menina se levantasse. Imediatamente a filhinha de Jairo se colocou em pé e pôs-se a andar. “Então, ficaram todos sobremaneira admirados” (Mc 5.42).
Deus age nos intervalos da vida mesmo quando ele se volta na direção contrária, atende uma necessidade mais urgente que a nossa, a fé é ameaçada pelo medo e não imaginamos uma ação ainda mais grandiosa dele. Vale a pena crer e confiar no Senhor Jesus Cristo porque o nosso Deus é um Deus surpreendente em todos os sentidos. 
Louvado seja o Senhor!

4 comentários:

  1. Que aprendizado, hein, Rev. Josivaldo!?
    Muito bom. Descobri coisas nesse texto que nunca me passou pela cabeça.
    Deus o abençoe.

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  2. Que bom meu irmão. Fico feliz por isso. Deus o abençoe.

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  3. Os que crêem presenciam o milagre, mas os que não crêem não é digno nem de estar na sala. Muito forte Rev. Josivaldo. Deus o abençoe que aprendizado

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  4. Amém e obrigado amado(a) Unknown kk. Deus o(a) abençoe também. Abraço.

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