quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Bíblia, Ciência e Religião

Josivaldo de França Pereira

 
Não existe oposição alguma entre a Bíblia e a verdadeira ciência. “A Ciência precisamente estabelecida e a Bíblia corretamente interpretada nunca cairão em contradição” (Adauto Lourenço). Somente quando hipóteses e teorias não provadas cientificamente são apresentadas como se fossem Ciência e, principalmente, seguem na contramão do que a Palavra de Deus ensina, é preciso que elas sejam descartadas. Exemplos clássicos são as teorias da evolução de Charles Darwin e do Big Bang, difundida por Carl Sagan.
Vale ressaltar que a Bíblia não deve ser tomada como se fosse um tratado científico. Ela antecede a ciência moderna e, por isso, tem uma linguagem própria, comum, não-técnica. É o caso de Josué 10.12-14. Durante a batalha contra cinco reis dos amorreus, Deus deu a Israel o poder de vencer seus inimigos. Como os exércitos dos amorreus fugiam de Israel, Josué pediu ao Senhor que fizesse com que o sol e a lua parassem. Assim eles poderiam ter luz do dia suficiente para completar a destruição de seus inimigos. “E o sol se deteve, e a lua parou até que o povo se vingou de seus inimigos... O sol, pois, se deteve no meio do céu e não se apressou a pôr-se, quase um dia inteiro” (Js 10.13).
Como o sol poderia ficar parado no céu quase um dia inteiro? Na verdade não foi o sol que parou. Isso é o que aparentou ser aos olhos de quem observava da terra. A intervenção divina foi no planeta terra, em seu movimento de rotação, isto é, o movimento giratório de 24h que a terra realiza ao redor do seu eixo. Norman Geisler e Thomas Howe destacam: “As Escrituras foram escritas em tempos antigos, com padrões antigos, e seria algo anacrônico impor sobre elas padrões científicos modernos. Contudo, não é menos científico falar que ‘o sol se deteve’ (Js 10.13) do que se referir ao ‘nascer do sol’ (Js 1.15). Ainda hoje os meteorologistas mencionam todo dia sobre a hora do ‘nascer’ e do ‘pôr-do-sol’”.
Pelo fato de não conhecer as Escrituras e nem o poder de Deus, o tribunal da Inquisição condenou Galileu Galilei no século XVI por defender a concepção heliocêntrica do sistema solar, em oposição ao geocentrismo ptolomaico – que considerava a terra o centro estático do universo, em volta da qual giravam planetas e estrelas – favorecido pela doutrina oficial da Igreja Católica.  Galileu, um dos criadores da Ciência moderna, tornou-se prisioneiro da Inquisição por ter dito que a terra girava em torno do sol. Essa tese era considerada contrária às Sagradas Escrituras, e o cientista foi condenado à prisão domiciliar perpétua.
Conquanto a Bíblia não seja um livro científico, ela tem dado contribuições significativas à Ciência. Por exemplo: Ptolomeu (séc. II A. D.) provou cientificamente que a terra é redonda, no entanto, cerca de 800 anos antes de Cristo o profeta Isaías disse: “Ele (Deus) é o que está assentado sobre a redondeza da terra...” (Is 40.22).[1] A descoberta da impressão digital no século XIX se deu com a leitura de Jó 37.7: “Ele sela as mãos de todo o homem...” (ARC).
A Ciência só será contrária à Bíblia se for uma falsa ciência. A Bíblia, por sua vez, jamais se oporá a um avanço científico que glorifique o nome de Deus.
Há quem pense, ainda, que Ciência e Religião são duas realidades totalmente incompatíveis. Elas não são incompatíveis nem mesmo parcialmente. “A Ciência e a Religião não são antagônicas, mas irmãs. Ambas procuram a verdade derradeira. A Ciência ajuda a revelar, de uma maneira mais acentuada, acerca do Criador, através de sua criação” (Gustave Le Bon).
Segundo Phillip Henry, “Quem pensa que pode haver um conflito entre Ciência e Religião deve ser muito incompetente em Ciência ou muito ignorante em Religião”.
Voltaire, um filósofo iluminista francês, afirmou: “Uma falsa ciência faz com que nos tornemos ateus; mas a verdadeira ciência prosta o ser humano diante da Divindade”. E Frances P. Cobbe complementou: “A Ciência é apenas um monte de fatos, não uma cadeia de verdades, se nos recusarmos a ligá-la ao trono de Deus”.
A Religião, na verdadeira concepção do termo, não é um conceito humano. Ela é essencialmente divina. A palavra “Religião” vem de uma contração latina (religare) que significa religar, ligar ou unir novamente, no caso o ser humano com sua origem divina perdida. A Religião é um dos fenômenos universais mais notáveis da vida humana, e a Ciência não tem como negar isso.
Comentando o texto de Eclesiastes 3.11, que afirma ter Deus colocado a eternidade no coração do homem, Miguel Rizzo destacou: “Por que será que colocou Deus a aspiração do infinito na alma humana? Naturalmente para que o homem não se degrade, levado por instintos que podem prendê-lo apenas à materialidade das coisas que passam”.
A necessidade de re-ligações com o divino é um dos fenômenos mais notáveis da vida humana. Os missionários testemunham a presença religiosa, de um modo ou de outro, entre todas as nações e tribos da terra. O ser humano tem sido descrito como “incuravelmente religioso”. Essa é apenas outra maneira de dizer que a espiritualidade é um fenômeno universal. Toda tentativa para extirpar a religiosidade do coração humano tem sido inútil. Até mesmo o filósofo e historiador escocês David Hume, famoso por seu ceticismo e oposição ao sobrenatural, disse certa vez: “Cuidado com as pessoas inteiramente vazias de Religião, e se de fato as achardes, ficai certos de que estão somente a alguns degraus afastadas dos brutos”.
Apesar da entrada do pecado no mundo, ainda existe muito de Deus no ser humano. O homem e a mulher foram criados à imagem e semelhança do Senhor. Essa imagem foi maculada pelo pecado, mas não anulada. Por isso, a alma do ser humano reclama pelo religare, a re-ligação humana com sua origem divina.
Quero concluir este capítulo com duas declarações de um dos maiores cientistas de todos os tempos – Albert Einstein. Disse ele: “Todas as especulações mais refinadas no campo da ciência provêm de um profundo sentimento religioso; sem esse sentimento, elas seriam infrutíferas”. E ainda: “Chegamos assim a uma concepção de relação entre Ciência e Religião muito diferente da usual... Sustento que o sentimento religioso cósmico é a mais forte motivação da pesquisa científica”.






[1] A ARC diz: “Ele é o que está assentado sobre o globo da terra”.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

A escola dominical e a responsabilidade da igreja toda

Josivaldo de França Pereira

Assumir responsabilidades não é uma tarefa que todos desejam, não é mesmo? Transferir a responsabilidade individual para outro (ou outros) é a coisa mais fácil de fazer, porém, nem sempre é a melhor saída ou a decisão mais inteligente. Eis a razão porque tratamos, primeiramente, das responsabilidades individuais: do aluno, do professor, dos pais, do superintendente e do pastor. Você, eu, ou seja, cada um de nós é responsável pela boa ou má atuação de nossa escola dominical. Se cada um fizer a sua parte como bom aluno, bom professor, bons pais, bom superintendente e bom pastor, a igreja toda sai beneficiada. Para isso, é necessário que a escola dominical seja encarada por toda igreja como uma responsabilidade da igreja toda.
A igreja é o corpo místico de Cristo, formado por diversos membros que precisam interagir mutuamente. Quando alguma coisa não vai bem na igreja é preciso união, espírito de equipe e determinação para se obter a solução do problema, a fim de que juntos possam, também, desfrutar da conquista dessa solução. Paulo diz aos coríntios que se apenas um membro do corpo sofre, todo corpo padece com ele; semelhantemente, se um deles é honrado, todo corpo se alegra (cf. 1Co 12.26). Quer dizer, de acordo com o ensino bíblico, o que é do interesse de um, deve ser do interesse de todos e vice-versa. Não deve haver divisão no corpo, “pelo contrário, cooperem os membros com igual cuidado em favor uns dos outros” (1Co 12.25). Do mesmo modo, não se pode ter uma boa escola dominical se ela não for para todos e do interesse de todos. É importante ponderarmos nisso para que a escola dominical caminhe bem, isto é, com resultados que possam ser vistos muito além das manhãs de domingo.
De que maneira a escola dominical ajuda a igreja? Justamente quando todos participam do processo de ensino-aprendizagem. Sherron George diz acertadamente: “O ministério de ensino envolve a igreja toda. Não são apenas alguns membros da igreja que participam do processo educativo, mas a igreja toda. Todos ensinam de uma forma ou de outra, e todos aprendem.”
Escrevendo aos efésios, Paulo diz: “Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, de quem todo corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor” (Ef 4.15,16). Observe que Paulo ensina que o crescimento e cooperação de cada junta, ou cada membro, promove a edificação de “todo o corpo”. O verbo “cresçamos” sugere crescimento corpóreo. Seguindo a verdade em amor o povo de Deus cresce, amadurece e se fortalece mutuamente para a glória de Deus. E para todas essas coisas a escola dominical irá, com certeza, ajudar bastante a igreja.
A escola bíblica dominical é uma bênção de Deus e uma responsabilidade nossa. A saúde de uma igreja depende muito do valor e da importância que ela dá à escola dominical. Quando a igreja toda assume a responsabilidade de fazer uma escola dominical cada vez melhor, quem sai ganhando é a própria igreja. 
Vale a pena investir na escola bíblica dominical!



sábado, 1 de junho de 2013

A escola dominical e a responsabilidade do pastor

Josivaldo de França Pereira

Como ministro do evangelho, sei que não são poucas e nem pequenas as responsabilidades do pastor. Comecemos com algumas de suas atribuições. Compete ao pastor: orar com o rebanho e por este; apascentá-lo na doutrina cristã; exercer as suas funções com zelo; orientar e superintender as atividades da igreja, a fim de tornar eficiente a vida espiritual do povo de Deus; prestar assistência pastoral; instruir os neófitos, dedicar atenção à infância e à mocidade, bem como aos necessitados, aflitos, enfermos e desviados; governar (cf. CI/IPB Art. 36).
Pelo que podemos perceber das atribuições e vocação do pastor, o ensino (no mais amplo sentido do termo) é a característica prioritária do ministério pastoral. O zelo e a responsabilidade doutrinários do pastor tornam-no, necessariamente, ligado à escola dominical. Ele é o superintendente ex-officio da escola dominical. Por isso mesmo, ao pastor nunca, jamais deve faltar a informação necessária acerca do que está sendo ensinado na escola dominical. Para tanto, o superintendente deve ser seu maior aliado. Um verdadeiro braço direito na condução da igreja. O superintendente que não estiver disposto a andar com o seu pastor não conseguirá promover a paz e a unidade no corpo de Cristo. Enfim, o pastor precisa saber o quê os professores ensinam ao seu rebanho, quem ensina e como ensina.  Essas informações ele adquirirá, primeiramente, com o superintendente e através das constantes reuniões com o conselho ou diretoria de ensino.
 O pastor deve ser um verdadeiro conselheiro no meio de seus auxiliadores. Diálogo é fundamental. É imprescindível que o pastor e a liderança da escola dominical falem uma só língua e se ajudem mutuamente, conforme recomenda Paulo em 1Coríntios 1.10: “Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma cousa, e que não haja entre vós divisões; antes sejais inteiramente unidos, na mesma disposição mental e no parecer”. A escola dominical agradece!
Ademais, pela experiência e formação pastoral que tem, o pastor precisa estar atento às carências de seus professores e superintendente. Ele deve zelar pelo aprimoramento de sua escola dominical, investindo pesado em sua liderança. Precisa indicar e sugerir bons livros, mostrando a importância e o valor da leitura. Também, é necessário que o pastor incentive a sua liderança a participar de/e a promover eventos educacionais.
Além disso, é necessário que o pastor tenha propósitos permanentes e bem definidos para a escola dominical. Quais devem ser os objetivos do pastor para a escola bíblica dominical? São basicamente estes: (1) promover a edificação da igreja na Palavra para o serviço, (2) ganhar vidas para Cristo e discipulá-las, e (3) formar líderes capacitadores.




A escola dominical e a responsabilidade do superintendente

Josivaldo de França Pereira

O superintendente é muito mais do que aquela pessoa que faz a abertura e encerramento da escola dominical e promove a comemoração de datas e eventos especiais. O superintendente ou diretor(a) da EBD é o irmão ou irmã em Cristo designado(a) pela igreja para administrar a escola dominical com competência e seriedade, visando a edificação e a maturidade do corpo de Cristo.
Antes de tudo, o superintendente deve ser alguém verdadeiramente comprometido com Deus e a igreja. Deve ser exemplo dos fiéis, não neófito, mas pessoa qualificada para comandar o corpo de Cristo. Deve ser assíduo e pontual no cumprimento de seus deveres, irrepreensível na moral, são na fé, prudente no agir, discreto no falar e exemplo de santidade de vida. Qualidades que devem acompanhar, no mínimo, todo crente e, principalmente, aqueles que receberam a graça da liderança, a saber: pastor, presbítero, diácono, superintendente, professor, etc.
Além disso, o superintendente deve ser uma pessoa preparada academicamente. Por “academicamente” quero dizer que o superintendente não precisa, necessariamente, ser um expert em educação cristã, porém, ele precisa ter noção do que a educação cristã significa e representa. Afinal de contas, é com professores que o superintendente está lidando e é a qualidade do ensino que ele estará supervisionando. Pensando nisso, um experiente diretor de escola dominical escreveu aos superintendentes: “Os seus professores ensinam com qualidade? Ou estão se repetindo diante da classe? Preparam devidamente a lição, ou já se acostumaram aos improvisos?”. E ainda: “Que os seus professores não se contentem com o preparo já conseguido. Incentive-os a ler, a estudar, a pesquisar, a descobrir novas metodologias, a se tornarem especialistas não apenas no currículo e na aula a ser ministrada, como também na pedagogia e na didática”.
Como dissemos a pouco, o superintendente não precisa ser um especialista, mas é necessário que tenha algum conhecimento pedagógico. Se tiver experiência como professor, melhor ainda. Some-se a isso a visão do superintendente. Se o superintendente pensar administrativa e pedagogicamente, o que é ideal, ele não apenas saberá conduzir a igreja bem, no sentido de unidade de propósitos, mas também zelará pelo aperfeiçoamento de seus professores. Promoverá encontros, congressos e uma série de eventos que ajudarão na formação e reciclagem dos professores. O superintendente é o carro-chefe da escola dominical que, em comum acordo com o pastor, melhorará a escola quando melhorar seus professores. Quando se investe na liderança da escola dominical a igreja toda sai ganhando!
Por último, mas não menos significativo, o superintendente precisa ser dinâmico, a fim de dinamizar sua escola dominical. Para isso ele tem que se atualizar e se inteirar do trabalho de outros superintendentes. Deve ser uma pessoa inovadora, com ideias saudáveis, que revigorem a escola dominical. Eu acredito na escola dominical porque, como dissemos no início deste capítulo, é uma bênção de Deus e por isso deu certo. Entretanto, a escola dominical precisa passar por um processo constante de revitalização. Meu irmão superintendente, torne a sua escola dominical dinâmica, criativa, bíblica e funcional. Algo que dá gosto de ver e participar. Promova, juntamente com seu pastor e professores, o vigor e a saúde da escola dominical através da motivação de seus alunos. Evite a rotina, a monotonia e aquela mesmice insuportável. As aulas da escola dominical devem ser prazerosas. Da criança ao adulto que levantam cedo para ir à igreja, a escola dominical deve ser algo que valha a pena por causa do conteúdo e didática do ensino e (por que não?) por causa do agradável local de estudo. Olhe com carinho para tudo isso e Deus, com certeza, o recompensará.




quarta-feira, 8 de maio de 2013

A escola dominical e a responsabilidade dos pais

Josivaldo de França Pereira

 
A responsabilidade dos pais crentes com a escola dominical é dupla. Em primeiro lugar, os pais precisam ser assíduos e frequentes na escola dominical. Os pais que vão somente aos cultos, achando que faltar na escola dominical não tem tanto problema, certamente deixarão de progredir como deveriam na vida cristã. A presença dos pais na escola dominical é imprescindível, pois, afinal de contas, nós pais somos (bem ou mal) modelos para os nossos filhos.
Em segundo lugar, os pais precisam levar seus filhos à escola dominical. Gostaria de dar a esse segundo ponto uma atenção especial, visto que está diretamente relacionado ao anterior. Portanto, vamos entender a coisa da seguinte maneira: por que os pais precisam estar na escola dominical? De um lado, porque todos precisam aprender mais e mais das verdades do Senhor; por outro lado, por causa dos filhos. Perdoe-me a batida na mesma tecla, mas isso é importante. Os filhos desejam e precisam ver nos pais a seriedade no trato com a escola dominical. E isso, por si só, deve ser motivo de reflexão para os pais, pois os pais precisam, pela vida e pela palavra, mostrar aos filhos que a escola dominical é um importante veículo de crescimento espiritual.
Geralmente as crianças não apreciam levantar cedo para ir à escola dominical. Boa parte delas já faz isso durante a semana. Porém, os pais devem passar para os filhos que a escola de domingo também é especial por uma série de razões. Erra o pai ou a mãe que acha que não deve levar sua criança à escola dominical, apenas porque ela está cansada por estudar durante a semana, ou porque brincou demais no sábado ou foi dormir tarde por causa daquela festa na igreja. Esse é um tipo de compaixão que não procede. É nessa hora que os pais, amigavelmente, devem mostrar aos filhos que a escola dominical é especial para toda a família.
Lembro-me de um fato ocorrido em uma igreja da qual fui pastor. Quando perguntei a uma querida irmã porque não trouxe o filho, que na época devia ter cinco ou seis anos de idade, ela me respondeu: “Ele não quis vir”. Eu não sei como está ou por onde anda aquele que agora é um homem feito. Receio que ele tenha seguido o caminho de seus irmãos mais velhos, que abandonaram a igreja porque a mãe, comodamente, aceitava o fato de que eles não quiseram vir.
Papai e mamãe levem seus filhos à escola dominical, tenham eles vontade ou não. Cumpram as suas responsabilidades como um dia prometeram a Deus quando levaram seus filhos para serem batizados ou apresentados perante a igreja, pois, como no caso daquela mãe, amanhã poderá ser tarde demais para chorar o que poderia ser evitado hoje. 

quarta-feira, 1 de maio de 2013

A escola dominical e a responsabilidade do professor

Josivaldo de França Pereira
 
O bom professor é aquele que almeja a excelência do ensino e se empenha por alcançá-la. Tem que ser como o apóstolo Paulo exortou: “...o que ensina, esmere-se no fazê-lo” (Rm 12.7). Paulo recomenda àquele que ensina uma dedicação total nesse ministério. Dedicação que resultará num progresso constante do professor, quer seja em relação à habilidade no ensino e crescimento espiritual de seus alunos, quer seja em relação à sua própria vida cristã.
O professor da escola dominical deve ser o primeiro a viver o que ensina. A classe nunca deve ser subestimada (muito menos a dos pequeninos). Ela saberá se o professor está sendo sincero no que diz, como também saberá se o professor se preparou adequadamente para a aula. Fazer pesquisas de última hora e preparar a lição às pressas nunca dá certo. Quando o professor não se esforça para fazer o melhor, ele não apenas desrespeita seus alunos como peca contra Deus.
Além de viver o que ensina, o professor também precisa conhecer os seus alunos, a fim de saber o quê e como ensiná-los, ou seja, suas características físicas, mentais, sociais, emocionais e espirituais.
Quanto ao preparo e à exposição da aula propriamente, os editores dos Estudos Bíblicos Didaquê apresentam sugestões preciosas que podem ajudar bastante os professores da escola dominical. Com ligeiras adaptações passo a transcrevê-las:     
. Utilizar sempre a Bíblia como referencial absoluto;
. Elaborar pesquisas e anotações, buscando noutras fontes subsídios para a complementação das lições;
. Planejar a ministração das aulas, relacionando-as entre si para que haja coerência e se evite a antecipação da matéria;
. Evitar o distanciamento do assunto proposto na lição;
. Dinamizar a aula sem monopolizar a palavra, oferecendo respostas prontas;
. Relacionar as mensagens ao cotidiano dos alunos, desafiando-os a praticar as verdades aprendidas;
. No final da aula despertar os alunos quanto ao próximo assunto a ser estudado, mostrando-lhes a possibilidade de aprenderem coisas novas e incentivando-os a estudar durante a semana;
. Depender sempre da iluminação do Espírito Santo, orando, estudando e colocando-se diante de Deus como instrumento para a instrução de outros;
. Verificar a transformação na vida dos alunos, a fim de avaliar o êxito de seu trabalho.
Duas coisas, pelo menos, têm levado algumas pessoas a perderem o interesse pela escola dominical hoje em dia, isto é, a pouca criatividade do professor e, consequentemente, a falta de dinamismo nas aulas. Professor, faça de sua aula algo interessante; seja criativo, invista tempo nisso. Criatividade e dinamismo são, em boa parte, o segredo do sucesso do professor eficaz.
É necessário que o professor da escola dominical veja seu trabalho como o ministério que Deus lhe deu e que, por isso mesmo, precisa ser realizado da melhor maneira possível. “... o que ensina, esmere-se no fazê-lo” (Rm 12.7).

A escola dominical e a responsabilidade do aluno

Josivaldo de França Pereira

O segredo de uma escola dominical dinâmica e eficaz depende, e muito, do aluno. E como deve ser o aluno da escola dominical? Qual o perfil do aluno ideal? Antes de respondermos essas perguntas é importante dizer que por aluno ideal não nos referimos, especificamente, a um ser extraordinário: brilhante, gênio, super intelectual. Não, o aluno ideal é antes de tudo uma pessoa bem intencionada. Como assim? Ele é dedicado: Assíduo, pontual, responsável. Vai à escola dominical com prazer e não para dizer simplesmente “estou aqui”, “cheguei” ou “agora o superintendente não vai pegar no meu pé”. O verdadeiro aluno da escola dominical não pensa assim. Lê sua Bíblia e faz a tarefa de casa; anota suas dúvidas e vem disposto a colaborar na sala de aula.
É lamentável quando o aluno vai à escola dominical sem ter estudado durante a semana. Alguns vão sem Bíblia e sem a lição, não é mesmo? E olha que eu não estou falando dos pequeninos não! Às vezes, eu me ponho a pensar: “O que alguém que não traz Bíblia, revista, papel e caneta, que não estuda em casa e etc., vem fazer na escola dominical?”. Aprender? Acho difícil. Não se pode aprender adequadamente quando o básico é negligenciado.
De uma coisa precisamos estar cientes: 50% ou mais do bom desempenho do professor, numa sala de aula, depende de seus alunos. É o que eu costumo dizer aos meus alunos, sem querer jogar sobre eles a responsabilidade que cabe a mim.
Quando o aluno não se prepara em casa, conforme já mencionamos acima, ele perde a oportunidade de contribuir com algo mais. Contribuindo, ganha o aluno, a classe e o professor também. Muitos dos alunos que ficam calados durante a exposição do professor cometem o erro (para não dizer “pecado”) da negligência semanal. É preciso que você, aluno, reverta esse quadro se, porventura, está sendo negligente; pois quantas vezes a culpa de uma aula mal dada recai sobre o professor quando na realidade o culpado é outro? É claro que o professor tem suas responsabilidades, como veremos na próxima pastoral, mas nenhum professor, a menos que esteja doido, teria coragem de se colocar diante de uma classe sem que estivesse adequadamente preparado.
Seja professor, ou seja aluno, ambos devem fazer tudo para a honra e glória de Deus.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

30 anos!

Josivaldo de França Pereira


Neste mês de fevereiro de 2013 completo 30 anos de conversão. Lembro como se fosse hoje! O Espírito Santo usou como instrumento para minha salvação a minissérie de nome Pedro e Paulo, transmitida pela Rede Globo no inicio de fevereiro de 1983. Depois nunca mais foi reprisada. Parece que aquele filme foi feito por encomenda para mim. Mais de 25 anos depois encontrei o DVD Pedro e Paulo numa vídeo-locadora em Itanhaém, no litoral paulista. Tomei o DVD em minhas mãos e o filme passou diante dos meus olhos sem que eu precisasse assisti-lo de novo.
Em uma noite de fevereiro de 1983, voltava eu da escola caminhando e meditando no que havia assistido em casa. Toda aquela entrega por Jesus, todo sofrimento por causa do evangelho mexiam com a minha mente e coração. Deus estava trabalhando no meu interior. E foi naquela primeira semana de aula do mês de fevereiro que entreguei a minha vida ao meu Senhor e Salvador Jesus Cristo. E a primeira oração que fiz (ali mesmo na rua) foi para que Deus me usasse em sua obra, como usou Pedro e Paulo, chamando-os para o ministério. Queria trabalhar para Deus. E ele me vocacionou para o sagrado ministério. Bem antes de chegar em casa eu já era uma nova criatura – um pecador arrependido de seus pecados, salvo em Cristo Jesus, transbordante de alegria e gratidão ao Deus Pai! O desejo de me firmar na igreja e ser batizado foi imediato.
Pouco tempo depois do meu novo nascimento escrevi meu primeiro texto intitulado “Minha conversão”. Era mais uma “carta” de gratidão a Deus do que o relato de minha vida, propriamente. Infelizmente não tenho mais aquele texto comigo porque se extraviou. Trinta anos após escrevo novamente a fim de celebrar um marco tão importante na minha vida.
Nestes 30 anos muita coisa boa aconteceu. Três anos após a minha conversão fui para o seminário (1986). Conclui o curso em 1990, fui licenciado em 1991 e me casei nesse mesmo ano com a Marta. No ano seguinte (1992) fui ordenado pastor e em 1993 nasceu meu unigênito Mateus. E, como eu disse, muita coisa maravilhosa ocorreu. Passei por várias provações também. Mas Deus me abençoou e tem me abençoado sempre! Não sei, por experiência própria, o que significa se desviar do caminho do Senhor. Durante todo esse tempo ele me sustentou com a sua benignidade e não permitiu que se resvalassem os meus pés. E até aqui o Senhor tem me ajudado e à minha família de forma tremenda! Só tenho o que agradecer ao meu Deus.
Hoje pastoreio a Igreja Presbiteriana do Jd. Elba, em São Paulo. Uma bênção de Deus a mais em minha vida; um motivo a mais de gratidão ao Senhor. Portanto, só me resta dizer como o salmista: “Que darei ao SENHOR por todos os seus benefícios para comigo?” (Sl 116.12).

sábado, 5 de janeiro de 2013

O que faz a Terra girar?

Por Josivaldo de França Pereira

 
Desde muito cedo ouvi dizer que a Terra gira em torno de si mesma e do Sol, e que foram Copérnico e Galileu os primeiros a provarem isso. Contudo, não me lembro de ter ouvido nenhuma resposta plausível à pergunta: O que faz a Terra girar?
Se saíssemos às ruas entrevistando as pessoas com a indagação “o que faz a Terra girar?”, certamente ouviríamos respostas como: “Não faço a menor ideia”, “Deus fez assim”, etc. Creio piamente que o Criador fez o Universo como ele é, todavia, para coisas físicas existem explicações matemáticas, físicas e precisas. Podemos até não conseguir muitas respostas para nossas inquietações intelectuais, como ainda não as temos em relação a diversas coisas do Universo, mas as respostas estão lá. As leis que regem o Universo estão em toda parte. Só precisam ser descobertas.
O que faz a Terra girar em torno de si mesma sem atraso ou adiantamento? O que a faz dar uma volta completa em torno do Sol durante um ano com exatidão? Por que o globo terrestre se movimenta? Einstein respondeu parcialmente essas questões quando disse que a gravitação não se deve mais a uma força de atração, como pensava Newton, mas a uma deformação do espaço na vizinhança das massas. Em outras palavras, as coisas não caem porque são puxadas para baixo, e sim, porque são empurradas pelo espaço deformado pela Terra. Não existe a chamada força da gravidade. A Terra curvou o espaço em minha volta e está me empurrando para baixo.
Espaço e tempo estão intimamente relacionados. Na verdade eles são uma coisa só. Um tecido flexível chamado espaço-tempo. A Bíblia afirma que “No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gn 1.1). Tanto o Antigo quanto o Novo Testamento não possuem palavra correspondente a “universo”, e para expressar a ideia faz-se uso frequente de “céus e terra”. Note que a Escritura Sagrada não diz que Deus criou a terra e depois os céus. A palavra “céus” vem antes de “terra”. “Céus” aqui é o espaço sideral, criado primeiro para receber a Terra, o Sol, a Lua, etc. A Terra, por exemplo, ocupou o espaço do Espaço, sendo “pressionada” por este.
Entretanto, se a Terra é pressionada em seus quatro cantos, por assim dizer, por que então ela não fica parada, estagnada no Universo? Antes de Copérnico e Galileu achava-se que a Terra realmente ficava imóvel, e o Sol se movia. Esse pensamento não estava baseado numa suposição científica equivocada. De fato, não estava fundamentado em nenhum conceito científico. Era apenas uma suposição religiosa errada. O que Copérnico e Galileu provaram cientificamente foi o contrário: o Sol é fixo e a Terra se move. Eppur si muove (porém ela se move), teria Galileu murmurado aos juizes da Inquisição.
Muita gente diria que o Sol puxa a Terra para ele em um círculo. Errado! A Terra gira em torno de si mesma (movimento de rotação) e do Sol (movimento de translação) porque o Sol distorceu o espaço em volta da Terra e o espaço empurra a Terra para o Sol, fazendo com que ela gire sempre do mesmo lado, em ambos os movimentos, numa velocidade contínua.